Mostrando postagens com marcador trabalhadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trabalhadores. Mostrar todas as postagens

27 de jul. de 2010

Apesar da pressão de empresários e entidades, o governo não prorrogou o prazo.

Portaria 1510: governo fiscaliza empresas a partir de 26 de agosto

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) começará a fiscalização das empresas para verificação do cumprimento da Portaria 1510 a partir de 26 agosto. Apesar da pressão de empresários e entidades, o governo não prorrogou o prazo para a vigência da regra. Pela norma, empresas com mais de 10 funcionários são obrigadas a trocarem seus registradores eletrônicos de ponto (REPs) por aparelhos que atendam às exigências da portaria. Caso contrário, devem voltar a registrar o ponto manualmente ou em equipamentos mecânicos, ambos regulamentados.

Em instrução normativa publicada nesta terça-feira (27) no Diário Oficial da União, o MTE esclarece que as autuações às empresas dependerão de dupla visita dos Auditores Fiscais do Trabalho (AFTs). Uma notificação limita em 90 dias o prazo para a regularização do registrador. A instrução também afirma que após esse período a autuação das infrações não dependerá de dupla visita. O ministério explica ainda que as demais regras da portaria, que não estão relacionadas ao equipamento, não exigem dupla visita, pois completam um ano em agosto.

Uma enquete no site da Senior, uma das maiores desenvolvedoras de softwares do Brasil, que questiona “o que você pretende fazer em relação à Portaria 1510?”, aponta até esta terça que 23% dos que responderam desejam se adequar imediatamente.

27/07/2010



25 de jul. de 2010

Nos últimos três meses, a Honda enfrentou quatro ondas de greves.

China enfrenta a 'revolta' da mão de obra

Greves e protestos de operários não são um fenômeno raro no país. A novidade agora é que as paralisações ganharam destaque na imprensa oficial, totalmente sujeita à censura do governo, e atingiram as grandes companhias multinacionais instaladas na China.

Nos últimos três meses, a Honda enfrentou quatro ondas de greves na China, que terminaram em aumentos de salários para milhares de operários de suas fábricas e de seus fornecedores.

A Foxconn, maior fabricante de produtos eletrônicos do mundo, anunciou em junho que elevaria em pelo menos um terço o pagamento de seu exército de 600 mil empregados chineses, depois que dez deles se suicidaram neste ano. E, no início deste mês, algumas regiões reajustaram em cerca de 20% o valor do salário mínimo, que não é unificado nacionalmente.

A sucessão de manchetes sobre conflitos laborais, o aumento da remuneração e a escassez de operários desencadearam um acirrado debate, no qual economistas se dividem entre os que acreditam no fim da era da mão de obra barata e abundante e os que sustentam que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a China perca a vantagem comparativa dada por milhões de empregados mal pagos.

Greves e protestos de operários não são um fenômeno raro no país, diz a economista brasileira Paula Nabuco, da Universidade Federal Fluminense, que elabora tese de doutorado sobre economia e relações de trabalho na China. A novidade agora é que as paralisações ganharam destaque na imprensa oficial, totalmente sujeita à censura do governo, e atingiram as grandes companhias multinacionais instaladas na China, especialmente japonesas.

A montadora Honda foi alvo da mais longa greve registrada em empresas estrangeiras no país, que interrompeu por três semanas sua linha de montagem em Foshan, na província sulista de Guangdong, a maior base exportadora chinesa. A paralisação terminou no início de junho, depois que os operários conquistaram reajuste salarial de 24%.

A mais recente onda de greves enfrentada pela companhia japonesa chegou ao fim na quinta-feira na Atsumitec, que produz peças para os freios do Honda Accord. Os operários conquistaram aumento de 45%, o que elevou sua remuneração a 1.420 yuans mensais. Mesmo com o reajuste, os 1.420 yuans equivalem a R$ 370,00, pouco mais de dois terços do valor do salário mínimo brasileiro, de R$ 510,00.

Stephen Roach, presidente do banco Morgan Stanley na Ásia, afirmou em artigo publicado no portal da revista The Economist que é "totalmente prematuro" sustentar que chegou ao fim a vantagem comparativa dos custos trabalhistas na China.

O executivo observou que os operários chineses ganhavam US$ 0,81 por hora em 2006, o que correspondia a 2,7% do que trabalhadores norte-americanos recebiam. Mesmo se tivessem obtido reajustes anuais de 25% no período de 2007-2010 - hipótese descartada por ele -, a remuneração no país asiático seria hoje de US$ 1,98 a hora, ou 4% do que é pago nos Estados Unidos e metade do valor registrado no México.