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28 de abr. de 2011

Medidas para reduzir a emissão de cheques sem fundo.

CMN cria novas regras para emissão de cheques

Objetivo é tornar mais seguro o recebimento desse instrumento e reduzir a emissão de cheques sem fundo

BRASÍLIA - O Conselho Monetário Nacional (CMN) criou nesta quinta-feira, 28, novas regras para emissão de talão de cheques e a sua compensação. O objetivo é tornar mais seguro o recebimento desse instrumento de pagamento. Os bancos terão de refazer os contratos com os clientes para estabelecer claramente os critérios para concessão de talões de cheque, entre outros pontos. Precisarão, ainda, criar um cadastro no qual o comerciante terá informações sobre o cheque que estiver recebendo. Além disso, as folhas de cheques terão validade de seis meses a partir da data de confecção pelo banco.

As instituições financeiras terão o prazo de um ano para se adequar às novas normas. "É preciso dar mais robustez às regras, para que a pessoa que está recebendo o cheque tenha mais segurança e transparência", afirmou o chefe do Departamento de Normas do Banco Central, Sergio Odilon dos Anjos. "O foco no aspecto comercial é muito grande. As pessoas que recebem o cheque precisam ser protegidas", destacou. Os cheques correspondem atualmente a 15% do volume de pagamentos feito no País.

Hoje, os bancos arbitram sobre a concessão de talão de cheques para os clientes. No entanto, não estão obrigados a explicar os critérios da decisão. A partir de agora, os critérios para emitir ou não o talão terão de estar expressos no contrato. "Estamos tornando esta norma mais clara. As condições terão de ser feitas contratualmente", disse Odilon dos Anjos. No prazo de um ano, todos os contratos terão de ser refeitos. Nos novos contratos, a regra entra em vigor imediatamente.

Para o BC, a medida pode ajudar a reduzir a emissão de cheques sem fundo. Segundo os dados da instituição, dos 1,12 bilhão de documentos compensados em 2010, no valor de R$ 1,029 trilhão, 71 milhões de cheques foram devolvidos, no valor de R$ 83 bilhões. Do total de devolução, 63 milhões foram por falta de fundos, somando R$ 70 bilhões.

Outra obrigatoriedade aprovada hoje pelo CMN é a impressão na folha do cheque da data de confecção do talão. O prazo de validade será de seis meses. Cheques confeccionados há mais tempo poderão ser recusados pelo comerciante.

BO e consulta

Além disso, os bancos terão de ser mais rigorosos na exigência do boletim de ocorrência policial para sustar cheques em caso de furto e extravio. "O boletim policial se torna obrigatório para que a sustação seja definitiva", disse Odilon dos Anjos. O emissor do cheque terá dois úteis, após o pedido de sustação, para entregar o boletim de ocorrência. Caso contrário, o banco pode compensar o cheque.

As instituições financeiras terão, ainda, de criar um sistema que consolide em um único lugar a consulta de informações sobre o cheque. O comerciante, por exemplo, poderá receber informações se o cheque foi sustado ou está bloqueado, se é de conta com bloqueio judicial ou de conta encerrada.

Os atuais mecanismos de consulta, como o Serasa, informam se o emissor do cheque tem histórico de cheques sem fundo, mas não prestam informações sobre o cheque em si. Odilon dos Anjos disse que a tendência é que os bancos se reúnam para formar um único serviço. Eles poderão cobrar uma taxa pelo serviço. "Não entramos no custo. Os bancos podem cobrar, porque evidentemente há um custo da operação", explicou.

Outra decisão do CMN obriga as instituições financeiras a informarem ao cliente que teve o cheque devolvido o nome e a agência bancária da pessoa que depositou o cheque. O BC entende que este mecanismo vai possibilitar ao proprietário do cheque sem fundo acertar a dívida e limpar o nome no mercado. Como os cheques muitas vezes passam de mão em mão antes de serem depositados, o emissor tem dificuldade para resgatar o cheque devolvido. Se inscrito no Serasa, tinha que esperar o prazo de cinco anos para ver o nome limpo. Esta medida entra em vigor imediatamente porque não necessita de prazo para implementação.

Renata Veríssimo e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado | 28/04/2011 | 14h

5 de abr. de 2011

O sorriso dos banqueiros não parou de crescer no ano passado.

Lucro das empresas no Brasil cresce 40%; bancos lideram

O lucro das empresa brasileiras de capital aberto cresceu 38,8% em 2010, em relação a 2009, em termos nominais. O setor bancário teve o maior volume de lucros no ano, com R$ 45,4 bilhões.

Os dados foram compilados pela consultoria Economática, a partir dos demonstrativos apresentados pelas empresas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A comparação com o ano anterior é feita em valores nominais, ou seja, sem descontar a inflação.

Segundo a pesquisa, o lucro acumulado das empresas brasileiras atingiu R$ 190 bilhões em 2010, contra R$ 135,9 bilhões no ano anterior. O lucro acumulado dos 24 bancos do país representou 17% do total das companhias de capital aberto.

O setor de telecomunicações teve destaque, cujo lucro quase quadruplicou. No total, o segmento lucrou R$ 11,1 bilhões no ano passado, ante R$ 2,8 bilhões um ano antes.

O setor de petróleo e gás teve o segundo maior volume de lucros, com R$ 29,6 bilhões, crescimento de 20,8%.

E com os bons preços das commodities, as empresas de mineração tiveram alta de 202% nos lucros, o que levou o grupo ao terceiro lugar, somando R$ 10 bilhões.

No sentido contrário, o setor de energia elétrica, que inclui 33 empresas de geração, distribuição e comercialização, viu os lucros caírem 20% em 2010. Ainda assim, o segmento ocupa o quarto lugar, com lucros de R$ 15,1 bilhões.

Já as companhias de construção civil tiveram crescimento de 62%, com R$ 4,9 bilhões nos lucros.

05/04/11 14:41

14 de dez. de 2010

13º lugar em produção industrial e 12º em vendas industriais

Indústria catarinense cresce em 2010, mas fica atrás da média nacional

Entre razões estão mau desempenho dos setores de alimentação e veículos automotores

A indústria catarinense teve desempenho positivo em 2010, mas o resultado foi pífio em comparação ao resto do país. Entre as razões, estão o mau desempenho dos setores de alimentação e veículos automotores, e da balança comercial, com queda nas exportações e alta exagerada nas importações, favorecidas pelo Pró-Emprego.

No ranking nacional, Santa Catarina ficou em 13º lugar em produção industrial e 12º em vendas industriais, abaixo da média brasileira. A produção catarinense ampliou-se em 6,9% de janeiro a outubro, pouco mais da metade da média nacional, que registrou 11,8% no período. Quanto às vendas, o resultado foi ainda mais drástico: o Estado cresceu 2,2%, cinco vezes menos que o Brasil, que emplacou 10,4% de crescimento.

A base de comparação é fraca, uma vez que 2009 teve resultados ruins em função dos reflexos da crise econômica mundial iniciada no final de 2008. Comparando-se ao período pré-crise, a produção industrial catarinense está 4,21% menor, e as vendas estão 6,14% menores, em comparação ao período de janeiro a outubro de 2008.

A tradição exportadora catarinense foi um dos fatores que seguraram o desempenho catarinense, na avaliação de Henry Quaresma, diretor de relações industriais e institucionais da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Como as economias da Zona do Euro e dos EUA ainda não se recuperaram totalmente da crise, a indústria voltou-se para o mercado interno, que não deu conta de absorver a produção de setores como veículos automotores (-27,8%) e carnes (-2,28%).

Por outro lado, tiveram desempenho positivo a produção de metalurgia básica (45,6%) e máquinas e equipamentos (23,5%). No país, os setores com melhores saldos foram aqueles relacionados a commodities, como minério de ferro e petróleo, itens não produzidos em Santa Catarina.

Outro fator que interferiu no desempenho da indústria foi o saldo negativo na balança comercial. De janeiro a novembro, Santa Catarina exportou US$ 6,89 bilhões e importou US$ 10,84 bilhões, com saldo negativo em US$ 3,95 bilhões. Uma das explicações é o Pró-Emprego, que desde 2007 oferece incentivos fiscais a empresas que importam pelo Estado.

— O benefício tem que existir, mas para atender as plantas industriais existentes em Santa Catarina e não escritórios alugados no Estado — questiona o presidente da Fiesc, Alcântaro Corrêa.

Em relação aos empregos, Santa Catarina não se distanciou muito da média brasileira. No total, de janeiro a outubro, foram abertas 113,5 mil vagas (6,98% mais que o mesmo período em 2009), sendo 50,9 mil na indústria de transformação (8,62% acima) e 9,8 mil na construção civil (11,91% a mais).

Crescimento de 5% para 2011

A expectativa do setor é positiva para 2011, na opinião de Alcântaro Corrêa.

— Para o ano que vem, continua o crescimento. Será em torno de 5%, para atender a demanda interna, que está crescendo. Não vemos empresas falindo, ao contrário, só vagas não preenchidas. Vamos montar mais sete escolas com o Senai só na área de construção civil para formação de mão-de-obra — calcula o presidente da Fiesc.

O real valorizado continuará um desafio para a indústria, mas a carga tributária brasileira, associada às condições ruins de financiamento e à falta de infraestrutura de transporte e logística merecem atenção dos governos, segundo Corrêa.

A abertura de novos mercados para a exportação catarinense é um dos caminhos para a produção industrial, segundo Henry Quaresma.

— Existe a expectativa da abertura da China para o frango de Santa Catarina. Se o governo manter acordos bilaterais, o Estado pode dar um salto grande. Santa Catarina e São Paulo são os estados brasileiros que mais se beneficiam das exportações — observa Quaresma.

14/12/2010 | 06h20

6 de out. de 2010

Índice das Marcas de Preferência e Afinidade Regional

Pesquisa revela as preferências e os hábitos de consumo do catarinense. Planeje-se para atender o perfil da população do Estado

O catarinense gosta de pagar suas contas em dinheiro, prefere cachorros a gatos e consome carne bovina com mais frequência. É isso que indica o Índice das Marcas de Preferência e Afinidade Regional (Ímpar 2010), pesquisa que revela os hábitos de consumo da população do Estado, as marcas de preferência e afinidade regional. Foram 1,7 mil catarinenses entrevistados. Destes, 52% eram mulheres e 48% eram homens.

Dados da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) revelam que Santa Catarina é o nono estado exportador do Brasil, com 1,5 mil empresas exportadoras. As cinco organizações que mais exportam são Seara Alimentos, WEG Equipamentos Elétricos, Whirpool, Sadia e Perdigão – estas duas últimas também foram destaque entre os catarinenses no que diz respeito à representação do Estado e à ações de responsabilidade social.

consumidor catarinense

COMPRAS E PAGAMENTOS
O perfil do consumidor catarinense mostra que 69% das pessoas preferem fazer compras em lojas de rua. As lojas de departamento vêm em segundo lugar, com 14% de preferência, e os shoppings centers em terceiro, com 13%. Na hora de pagar, 68% dos catarinenses preferem esquecer o parcelamento e pagar à vista. Somente 11% da população utiliza o cartão de crédito.

NO ASFALTO
Graças à ampliação de linhas de crédito, redução da taxa de juros e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a venda de veículos cresceu mais de 10% em 2009. Questionados sobre o interesse em adquirir um veículo nos próximos 12 meses, 71% dos catarinenses disseram que não pretendem, enquanto 25% gostariam de comprar. Entre os meses de março e abril de 2010 foram vendidos 49,6 mil automóveis em Santa Catarina. Já as motocicletas são utilizadas por 40% da população.

CHURRASCO

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil é o segundo país que mais consome carne no mundo. A carne bovina tem destaque na preferência catarinense – 55% das pessoas consomem o produto. Em segundo lugar aparece a carne de frango, com 42%. Ao todo, 70% da população declarou consumir carnes de todos os tipos (bovina, suína, de frango ou peixe).

CERVEJINHA GELADA
As bebidas alcoólicas também ganharam destaque na pesquisa. Em primeiro lugar aparece a cerveja, com 44% de preferência dos catarinenses. Como segunda opção de escolha mais citada na hora de beber, o vinho aparece com 23%.

O MELHOR AMIGO DO HOMEM
O Ímpar mostrou que 57% dos entrevistados têm um cão como companheiro em casa. O animal aparece como preferência quase que com o mesmo percentual entre homens e mulheres de todas as idades. O gato aparece em segundo lugar, com 12% de preferência. Os gastos com estes animais são muitos, e exigem tempo e dinheiro. A ração industrial é utilizada por 82% dos catarinenses que possuem animais de estimação. Os serviços e compras de produtos em pet shops são utilizados por 61% da população.

LAZER
Você sabia que o catarinense não pratica esportes nas horas vagas? Cerca de 62% dos entrevistados são sedentários. Mas há quem ainda faça um esforço para manter a saúde: 37% jogam futebol para se exercitar. A caminhada é a segunda atividade mais citada, com 33% de preferência.

Quando o assunto é futebol, a torcida do Flamengo impera em Santa Catarina: 21% dos entrevistados torcem pelo time. Em segundo lugar aparece o Grêmio, com 12% de preferência. Entre as equipes catarinenses o time com mais torcedores é o Avaí, com 15%, seguido pelo Figueirense, com 11%. Este último é o primeiro na preferência dos torcedores da Grande Florianópolis, com 37%.

COMUNICAÇÃO E REDES SOCIAIS
A televisão é o meio mais utilizado pelo catarinense – 77% dos entrevistados aponta a mídia televisiva como principal fonte de informações. O rádio chega em segundo lugar, com 33%. A internet ultrapassa o jornal como primeira opção de informação – 9% contra 8% de preferência, respectivamente. Mas na segunda opção o jornal sai na frente, com 27% de preferência, enquanto a internet fica com 13%.
As redes sociais não são acessadas por 66% da população catarinense. Das pessoas que participam delas, 28% preferem o Orkut e 24% apontam o MSN como segundo mais lembrado. O YouTube aparece em terceiro lugar, com 8%, enquanto o Twitter é utilizado por apenas 4% dos catarinenses.

INVESTIMENTOS
O Ímpar registrou que 72% de catarinenses que possuem casa própria. Os que pagam aluguel vêm em segundo lugar: 18%. Sobre a intenção de adquirir imóveis, 10% dos catarinenses pretendem se estabelecer nos próximos 12 meses, enquanto 68% não têm intenção de adquirir nenhum imóvel. Destes, 88% querem a casa própria.
A maioria dos entrevistados, 98%, disse não ter nenhum investimento na Bolsa, enquanto 2% alegaram possuir. Quando o assunto é negócio próprio, 74% das pessoas revelaram que têm intenção de ter uma empresa.

LOCOMOÇÃO

O meio de transporte mais utilizado pelo catarinense é o automóvel, com 35% de preferência. Em seguida, com 23%, está o transporte público.
ORGULHO CATARINENSE
A empresa que melhor representa Santa Catarina é a Sadia, com 18% da preferência. A organização também foi escolhida como a que mais pratica ações de responsabilidade social, com 12%. A Perdigão ficou em segundo lugar, com 11% de aprovação dos entrevistados.


COMÉRCIO E TURISMO
Na opinião de 24% dos catarinenses, Florianópolis é a cidade com o melhor comércio do Estado. Em segundo lugar vem Joinville, com 17% dos votos, seguida por Brusque, com 13% de aprovação. A Capital também foi escolhida como a melhor cidade turística de Santa Catarina, com 48% dos votos. Balneário Camboriú ganhou a medalha de prata e recebeu 28% de aprovação dos entrevistados. Quanto ao tipo de turismo praticado, 47% declararam preferência pela praia, enquanto 12% preferiram o campo.

AS MARCAS CATARINENSES MAIS LEMBRADAS
Algumas das marcas de produtos e serviços mais lembradas pelos entrevistados são catarinenses. A Água Mineral Imperatriz, por exemplo, é a preferência de 20% do público. A marca tem um crescimento médio de 10% ao ano. Em relação a artigos de cama, mesa e banho, a Teka, de Blumenau, tem a preferência de 50% dos catarinenses. Em segundo lugar ficou a Artex, também de Blumenau, com 11% dos votos. Uma das maiores fabricantes de móveis planejados da América Latina, aTodeschini ficou com o primeiro lugar – 46% - na categoria “Cozinhas”.

DIVERSÃO NOTURNA
A noite catarinense também ganhou destaque no Ímpar. Na Grande Florianópolis, as boates Floripa Music Hall e New Time empataram no primeiro lugar com 11% na preferência. Bali Hai e Bailão do Silva se igualaram na preferência dos entrevistados da região do Foz de Itajaí – ambos com 9%. Já a danceteria Maria Fumaça foi destaque no Meio Oeste, apontada como preferida por 19% dos entrevistados, enquanto o destaque no extremo Oeste ficou com a Choupanas, com 14% de indicações. Na região Norte, o Big Bowling foi apontado como preferência por 9% dos entrevistados.

CONSTRUÇÃO CIVIL
No setor de Construção Civil catarinense a Koerich Construções levou a melhor na Grande Florianópolis – a empresa é a preferida de 13% dos entrevistados. No Extremo Sul a Fontana ficou em primeiro lugar, com 26% de aprovação, enquanto a Ceparrecebeu 76,4% dos votos no Planalto Serrano. Destaque também para a Nostra Casa, escolhida como a preferida no Meio e no Extremo Oeste – respectivamente, 39,6% e 21,5%.

EDUCAÇÃO
A Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) foi escolhida como referência em Ensino Superior no estado, com 15% de preferência. Em segundo lugar ficou aUniversidade da Região de Joinville (Univille), com 10%, seguida pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), com 9% dos votos.

FARMÁCIA
A Drogaria Catarinense é líder na preferência dos consumidores de Santa Catarina, com 22% no Ímpar. Em segundo lugar, o Sesi Farmácia recebeu 15% de aprovação dos entrevistados.

IMOBILIÁRIA
Em 2010 o setor imobiliário voltou a ser favorável, depois de um período de forte recessão em 2009. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, o Sistema Brasileiro de Poupança (Abecip) e Empréstimo (SBPE) destinou, somente até março deste ano, mais de 1,6 milhão para aquisição de imóveis novos e/ou usados. Do primeiro trimestre de 2010 para o segundo, o volume aplicado em imóveis comerciais no mercado brasileiro quase triplicou, saltando de US$ 577 milhões para cerca de US$ 1,6 bilhão. O segmento imobiliário foi avaliado de acordo com as preferência regionais. A Grande Florianópolis, por exemplo, elegeu a Ibagy como a melhor imobiliária, com 30,7%. Já o Planalto Serrano preferiu a Coral, com 59,5% de preferência.

JÓIAS
Altamente voltado para o design, o setor de joias em Santa Catarina acompanha o progresso da civilização humana no que compreende o trabalho, a criatividade e o talento de sucessivas gerações de artesãos no desafio de transformar materiais preciosos em ornamentos pessoais de elevado valor artístico. Na Grande Florianópolis a joalheria Quevedo foi a que obteve maior índice de preferência, com 28,4%.

LIVRARIA
O Ímpar analisou o setor de livros regionalmente. Na Grande Florianópolis é que foi apontada a livraria com o maior índice de preferência entre todas as regiões – aCatarinense, com 78,9%. No Vale do Itajaí a Livraria Alemã também se destacou, com 66,5%.

LOJAS DE CALÇADOS
A Pittol Calçados, referência no setor calçadista em Santa Catarina, recebeu a preferência de 18% dos entrevistados. Em segundo lugar ficou a Carioca, com 13%. Para ser a primeira na cabeça e nos pés dos consumidores a empresa investe no atendimento e satisfação das necessidades do cliente – seja em relação ao preço ou ao produto.

LOJAS DE FERRAGENS
A marca Milium é líder na preferência dos catarinenses na categoria “Loja de Ferragens”, com 21% de destaque. A loja é a maior rede de lojas, multiuso de Santa Catarina, com 26 unidades espalhadas em 15 cidades catarinenses e mais uma filial em Curitiba (PR).

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

A Casas da Água ficou em primeiro lugar no segmento “Loja de Materiais de Construção”, com 12% de menção entre os entrevistados. A loja catarinense tem 16 filiais distribuídas nas cidades de Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu, Itapema, Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau, Rio do Sul, Jaraguá, Joinville e a mais recente, em Tijucas.

NAS ESTRADAS
O comércio de pneus e acessórios automotivos também ganhou destaque no Ímpar. ADpaschoal foi líder absoluta em quase todas as regiões catarinenses – na Grande Florianópolis, Extremo Sul, Planalto Serrano, Foz e Vale do Itajaí. No Meio e no Extremo Oeste a JK Pneus levou a melhor, enquanto o Norte elegeu a Fredy Pneus como sua favorita.

ROUPAS FEMININAS
A Havan, uma das maiores redes de lojas de departamentos do Brasil, foi eleita a melhor no segmento “Loja de Roupa Feminina”, com 13% de preferência. A Havan tem 18 lojas em Santa Catarina e no Paraná, somando 110 mil metros quadrados de área de vendas. Em segundo lugar ficou a Marisa, com 11% de destaque no estado.
ÓTICA

Qualidade, tecnologia e conhecimento fazem a diferença nas óticas. Pelo menos é isso que disseram os entrevistados do Ímpar. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,1% da população brasileira usa óculos. O Ímpar avaliou o setor levando em conta as afinidades regionais. Na Grande Florianópolis a Diniz ficou com o primeiro lugar, com 68,7% de preferência. Destaque também para a Mondadori, com 74,4% de aprovação no Planalto Serrano, e para a Universal, com 45,1% no Vale do Itajaí.

RESTAURANTES
O setor de alimentação também foi destacado regionalmente. A Churrascaria Atalibatem a preferência na Grande Florianópolis, Foz e Vale do Itajaí. O setor de bares e restaurantes representa 2,4% do PIB brasileiro e emprego diretamente seis milhões de pessoas – 8% do emprego direto no país.

REVENDA DE VEÍCULOS
Em 2008, entre os meses de novembro e dezembro, foram comercializados em Santa Catarina 124,2 mil veículos. Neste mesmo período, em 2009, foram 154,2 mil veículos – um aumento de 20%. O setor de revenda de automóveis ocupa uma parcela importante na economia do Estado, e conta hoje com aproximadamente duas mil lojas de usados e cerca de 80 mil veículos em oferta. Avaliadas regionalmente, as revendedoras de automóveis foram bem posicionadas pelos entrevistados do Ímpar: na Grande Florianópolis a Dimas foi a preferida, com 31,6%. Destaque também para a Breitkopf, eleita a melhor pelo Vale do Itajaí.
Já as revendedoras de motocicletas que tiveram o maior índice de preferência entre as regiões foram Amauri e KG, com 56,7% e 43,4%, respectivamente.

SHOPPING CENTER
O Shopping Muller foi destaque na categoria “Shopping Center”, com 18% de preferência em Santa Catarina. Há 15 anos em Joinville, o shopping tem um fluxo mensal de 770 mil pessoas com acesso às opções de consumo, lazer e entretenimento, além de ser um local que leva cultura à comunidade através de eventos sociais, educacionais e na área da promoção da saúde. O mix de operações é constantemente qualificado.
SUPERMERCADO

Destaque em Santa Catarina com 17% de preferência, o Angeloni atua há mais de 50 anos. Atualmente conta com 7,4 mil colaboradores e atua também no Paraná, somando 22 lojas ao todo. A rede tem ainda 19 farmácias, seis postos de combustíveis e um centro de distribuição de 38 mil metros quadrados em Porto Belo. Em 2009 o faturamento bruto da empresa ultrapassou R$ 1,5 milhão.

VIGILÂNCIA E SEGURANÇA
O Grupo Back foi escolhido como preferido na categoria “Vigilância e Segurança”, com 36% de aprovação. Fundada há 40 anos como uma firma individual de limpeza, a Back cresceu, conquistou a confiança do povo catarinense e hoje está consolidada como prestadora de serviços terceirizados no Sul do país. Em segundo lugar na pesquisa aparece a Orsegrups, com 12% de preferência, seguida pela Radar, com 8%.

Camila Iara | 06/10/2010

27 de set. de 2010

1 em 4 entrevistados já se arrependeu alguma vez por ter trocado de emprego.

Os empregados estão valendo mais

Por que tanta gente troca de trabalho, ganha aumento – e nem liga para a qualidade de vida

O que os economistas chamam de “aquecimento da economia” tem, para quem ganha salário, significados bem práticos: mais vagas, mais facilidades para trocar de emprego, conseguir aumento e negociar aumentos maiores. Desde 2005 os brasileiros não achavam tão fácil trocar de emprego, segundo uma sondagem mensal da Fundação Getulio Vargas, e os salários de contratação subiram rapidamente desde o ano passado, de acordo com o Ministério do Trabalho. Essa situação ajuda a explicar a nova realidade dos assalariados de classes A e B das grandes cidades do país – aferida por um levantamento da consultoria de recursos humanos Asap, feito com 779 profissionais e divulgado com exclusividade por ÉPOCA.

Esses profissionais estão mais exigentes: 41% deles só aceitam trocar de emprego por ofertas de mais de 30% de aumento de salário (leia o quadro abaixo). “O mercado está bem aquecido, com muitas ofertas de trabalho. Com mais oportunidades, o profissional fica mais valorizado”, diz Carlos Eduardo Dias, sócio-diretor da Asap. Foi o que aconteceu com o gerente comercial Thales Baldinotti, de 33 anos. Ele mudou de emprego há três meses, depois de ficar dois anos e meio na mesma empresa do setor de cartões de pagamento, para ganhar salário um terço maior que o anterior. “Eu ganhava bem no antigo trabalho, mas sabia que podia ganhar ainda mais. Além disso, passei da condição de pessoa jurídica para a de contratado.”

MARCOS CORONATO E CARLOS GIFFONI | 25/09/2010 - 14:30

27 de jul. de 2010

O governo pode pagar uma taxa que será 150 pontos base, ou 1,5 ponto percentual, acima do rendimento dos títulos de mesma duração do governo americano.

Tesouro vai captar US$ 750 mi em títulos para 2021

O governo federal planeja captar ainda hoje US$ 750 milhões com uma emissão de títulos denominados em dólares com vencimento em janeiro de 2021.

O valor da segunda oferta internacional do país neste ano foi elevado em 50%.

O governo pode pagar uma taxa que será 150 pontos base, ou 1,5 ponto percentual, acima do rendimento dos títulos de mesma duração do governo americano, segundo uma pessoa familiarizada com a venda que pediu para não ser identificada porque os termos ainda não foram fechados.

A oferta é dos mesmos papéis de 4,875% vendidos em abril, segundo comunicado do Tesouro Nacional distribuído por e-mail. O Brasil planeja fazer a captação nos mercados americano, europeu e asiático. Deutsche Bank e Bank of America vão coordenar a operação, segundo a pessoa ouvida pela Bloomberg.

O Brasil está buscando os mercados internacionais depois que o aumento da demanda por ativos de países em desenvolvimento levou o rendimento dos títulos do governo com vencimento em 2021 para o nível mais baixo desde que foram lançados.

O rendimento dos papéis caiu para 4,40% às 10h57, abaixo dos 5% do dia 15 de abril, segundo o JPMorgan Chase & Co.

André Soliani e Verónica Navarro Espinosa/Bloomberg News | 27/07/10 | 18h14

26 de jul. de 2010

Pequim se ofereceu para aumentar o acesso de empresas estrangeiras às compras governamentais

EUA criticam proposta da China para fornecedores

Queixas internacionais são de que o governo chinês discrimina fornecedores que não são do país

WASHINGTON - O subsecretário de Assuntos Internacionais do Departamento de Tesouro dos EUA, Lael Brainard, criticou a nova proposta sobre regras para compras governamentais levada pela China à Organização Mundial do Comércio (OMC). "A proposta faz progressos em algumas áreas, mas não avança o suficiente em uma série de outras áreas", comentou.

Na semana passada, Pequim se ofereceu para aumentar o acesso de empresas estrangeiras às compras governamentais, respondendo às queixas internacionais de que o governo chinês discrimina fornecedores que não são do país. A China propôs as novas regras como parte de seu esforço para se tornar membro do Acordo sobre Licitações Governamentais (GPA) da OMC.

Esta não é a primeira vez que as propostas da China são rejeitadas por ser consideradas irrelevantes ou discriminatórias. Autoridades comerciais da União Europeia também criticaram a proposta, embora a considerem uma melhora em relação à oferta anterior.

Os conteúdos da nova proposta não foram tornados públicos. Pessoas que leram cópias do documento dizem que a proposta atende a uma série de reclamações sobre o texto anterior, de 2007. A nova versão reduz o período de transição exigido para a implementação do acordo de 15 para 5 anos, por exemplo, e acrescenta mais 15 agências do governo central chinês cujas aquisições serão cobertas pelo acordo, segundo uma fonte que teve acesso à proposta.

Legisladores norte-americanos responderam às regras da China sobre aquisições governamentais elaborando a legislação conhecida como "Buy American" (compre produtos norte-americanos), para desencorajar importações de países que não tenham assinado o GPA.

Brainard, falando durante evento no Instituto Peterson para a Economia Internacional, disse que as provisões do "Buy American" deveriam ter alertado os chineses e outros países que não são signatários do GPA de que "eles deveriam realmente acelerar seus próprios processos, para ser partes desse amplo acordo". As informações são da Dow Jones.

Álvaro Campos | 26/07/2010 | 17h22

19 de jul. de 2010

É difícil pensar em um exemplo mais inadequado para nos ensinar algo a respeito do estímulo fiscal nas condições em que nos encontramos atualmente.

Mais desespero diante da reação ao estímulo


Serei sincero: o debate acerca do estímulo fiscal travado nos últimos 18 meses me encheu de desespero diante do estado em que se encontra a profissão dos economistas. Se você acredita que o estímulo é uma má ideia, tudo bem; mas, certamente, o mínimo que poderíamos esperar é que os opositores ouçam, ao menos um pouco, o que têm a dizer os propositores da medida. Em particular, a defesa do estímulo sempre foi extremamente condicional. O estímulo fiscal só pode ser chamado assim quando duas condições se fazem presentes: uma alta taxa de desemprego, significando que o risco mais próximo seja de deflação, e não inflação; e uma política monetária limitada pela proximidade do limite inferior zero.

Isso não parece ser tão difícil de entender. Mesmo assim, de novo e de novo os críticos apontam para exemplos de aumentos nos gastos dos governo sob condições que em nada se assemelham a essas, e afirmam que tais exemplos seriam prova de alguma coisa.

Eis aqui o mais novo exemplo, de Tyler Cowen:
Certamente, na Alemanha, o recente histórico de estímulo fiscal não foi totalmente positivo. Após a reunificação, em 1990, o governo alemão tomou emprestado e gastou imensas quantias para financiar a reconstrução e para elevar o padrão de vida da Alemanha Oriental a um nível comparável ao da Alemanha Ocidental. Milhões de novos consumidores foram incorporados à economia.
Essas políticas tiveram como resultado uma unificação política do país, mas seu sucesso econômico não foi tão sólido. Uma prosperidade inicial foi seguida por anos de resultados abaixo da expectativa na produção e no emprego.
Esse trecho me dá vontade de enfiar um lápis no olho. Vamos analisar o exemplo sugerido:

1. O episódio não foi uma tentativa de estímulo fiscal; tratou-se de uma política de oferta, e não de uma política de procura. O governo alemão não tentou estimular a procura, e sim reconstruir a infraestrutura da Alemanha Oriental como forma de aumentar a produtividade da região.

2. A economia da Alemanha Ocidental não sofria de um alto desemprego – ao contrário, estava funcionando a todo vapor, e o BundesBank temia a inflação.

3. A proximidade do limite inferior zero não era uma preocupação. Na verdade, o BundesBank estava envolvido no processo de aumentar os juros para afastar o risco de inflação – a taxa de desconto, que no início de 1989 era de 4%, subiu para 8,75% no verão de 1992. Em parte, esse aumento na taxa foi uma tentativa deliberada de sufocar a demanda adicional criada pelos gastos com a Alemanha Oriental, ao ponto de a mistura alemã de gastos deficitários e aperto monetário ser amplamente considerada a culpada pelas crises de câmbio na Europa em 1992-1993.

Em resumo, é difícil pensar em um exemplo mais inadequado para nos ensinar algo a respeito do estímulo fiscal nas condições em que nos encontramos atualmente. E o fato de um comentarista de destaque informado a respeito dos acontecimentos atuais aparentemente não saber disso após um ano e meio de debate sobre o assunto – bem, como disse, estou me sentido razoavelmente desesperado.

Paul Krugman | 19/7/2010 | 17h01



13 de jul. de 2010

Dos estados do sul, Santa Catarina é o que mais gasta com lazer e infelizmente também com fumo.

Como estão os gastos das famílias catarinenses

TIFANY RODIO | 13/07/2010 | 9h55

Os anos passam e a impressão é de que viver está cada vez mais caro. Uma pesquisa do IBGE, divulgada recentemente, comprova e quantifica essa sensação. O Portal EconomiaSC comparou valores do estudo que acompanhou as despesas das famílias no período de 2002/2003 e de 2008/2009. Hoje, os catarinenses têm que desembolsar quase R$ 1 mil a mais por mês.

Em 2002/2003, uma família de 3 a 4 pessoas, que morasse em Santa Catarina, gastava em média R$ 1.817,7 por mês com alimentação, habitação (aluguel, condomínio, telefone, gás, energia etc), transporte, saúde, vestuário, higiene, educação, lazer, fumo e despesas pessoais. Já em 2008/2009, esse custo aumentou para R$ 2.804,09.

O economista Ricardo Guedes explica que o aumento das despesas é consequência do apelo ao consumo, como acontece nas datas festivas, e do avanço da tecnologia, que atrai compradores e reinventa os equipamentos com rapidez, induzindo a novos gastos. “Num período de seis anos, o consumo recebeu produtos novos e indispensáveis para a sobrevivência”.

O valor das despesas dos catarinenses é o segundo maior do país, atrás só do Distrito Federal. Isso decorre, em grande parte, do preço dos imóveis em SC. Segundo a pesquisa do IBGE de 2008/2009, as famílias gastam em média R$ 1.003,24 mensais com habitação, o que significa 35,8% de toda sua renda.

Os vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná gastam muito menos: R$ 794,06 e R$ 833,11 respectivamente. Apesar dessa grande diferença, Guedes acredita que os imóveis no Estado não são superavaliados: “se fossem, não vendiam. O que existe é uma política de incentivo ao consumo de bens, como imóveis, estimulada pelo governo”.

Catarinense gasta mais em lazer

Ainda comparando com os estados do Sul, os catarinenses gastam mais com lazer. São em média R$ 59,85 mensais com brinquedos, livros, revistas, diversões, esportes e outros. Os paranaenses gastam R$ 52,26 e os gaúchos R$ 40,37.

No fator transporte, ocupamos o primeiro lugar no país. As despesas somam R$ 667,45 por mês. Com o grupo que envolve plano de saúde, consultas, remédios, exames e outros serviços relacionados à saúde, os catarinenses são os que menos despendem dinheiro, em comparação com Paraná (R$ 171,78) e Rio Grande do Sul Saúde (R$ 174,07). Aqui são gastos em média R$ 162,91 por mês.

Santa Catarina é o terceiro Estado que mais gasta com fumo, ficando atrás do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

Para acompanhar o aumento dos gastos, a renda das famílias também subiu. Em 2002/2003, o rendimento mensal de uma família catarinense era de R$ 1.893,22, obtidos através de salário, rentabilidade de aluguel, aposentadoria e outros meios. Em 2008/2009, passamos, em média, a R$ 3.335,53 por mês. A média do Brasil é de R$ 2.763,47. Apesar do otimismo transmitido pelos números, o economista Ricardo Guedes é cético: “Na vida real, os salários não são bons, e não existe emprego com a disponibilidade que aparenta”.

A presidente da Associação das Donas de Casa, Reneuza Marinho Borba, afirma que o aumento do poder aquisitivo fez com que as pessoas tivessem interesse em melhorar de vida. “A classe menos favorecida passou a ter acesso a eletrodomésticos. As famílias estão morando melhor, são mais exigentes e procuram qualidade.”

Reneuza afirma ainda que, antes, a preocupação com o orçamento era menor, e havia dificuldades em trabalhar com a relação receita X despesa: “hoje há um planejamento. As pessoas consideram sua renda na hora de gastar. Apesar de gastarem mais, estão pesquisando menores preços”.

Sociedade está menos desigual

A renda da população pobre aumentou, e, consequentemente, seus gastos quase dobraram em seis anos: em 2002/2003, cada pessoa pertencente a 40% das famílias com menores rendimentos gastava R$ 239,69 por mês. Esse valor passou para R$ 462,76 no período 2008/2009, o que nos levou do quarto ao primeiro Estado com maiores gastos de famílias humildes.

O consumo dos ricos de SC também cresceu. Em 2002/2003, a despesa por pessoa de 10% das famílias mais favorecidas era de R$ 1.630,36, e SC não ficava nem entre os dez primeiros estados com maiores gastos da classe alta. Em 2008/2009, a despesa por pessoa é a quarta maior do país, R$ 3.096,12.

Em Santa Catarina, o consumo de pobres e ricos não está tão distante: na primeira pesquisa, éramos o segundo Estado com menos desigualdade. Na segunda, dividimos o quarto lugar com o Rio Grande do Sul. A região sul é a menos desigual. “Rio Grande do Sul e Santa Catarina são considerados a Suíça brasileira, por causa da característica de colonização, da formação em pequenos grupos e cidades e das relações de consumo e produção. Em SC, por exemplo, temos cinco regiões distintas: agrícola, mineração, industrial, têxtil e serviços. Isso pode minimizar algumas desigualdades”, analisa o economista Ricardo Guedes.

Alimentação

Comparando os hábitos alimentares de 2002/2003 e 2008/2009, os catarinenses estão consumindo menos farinhas, massas, queijos, leite, leguminosas, cereais e aves. Segundo a nutricionista Gabriela Martinelli Neves, essa redução é negativa, já que os alimentos básicos são importantes para uma dieta equilibrada. Por outro lado, estão gastando mais em bebidas, carnes e peixe. Em ambos os períodos, a maior parte de todo o dinheiro destinado à alimentação é gasta com carne vermelha – em 2008/2009, a média é quase R$ 40 por mês.

Os pescados frescos ainda são pouco consumidos. Em 2002/2003, os catarinenses gastavam R$ 1,65 mensal, passando para R$ 3 em 2008/2009. “Pesquisas apontam para o alto preço como principal motivo para a baixa procura. Apesar de o Brasil ter uma das maiores reservas de pescado, o consumo anual per capita de peixe no nosso país fica bem abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, avalia Gabriela.

Reneuza Borba percebe que o arroz e o feijão, que sempre foram o prato principal da família, estão sendo deixados de lado, abrindo espaço para a infinita variedade de pratos pré-prontos. Segundo as pesquisas do IBGE, o gasto com frutas, legumes e verduras praticamente se manteve no período, ao mesmo tempo em que a compra de pratos prontos aumentou 0,64%. Segundo Gabriela Neves, a procura por alimentos preparados é cada vez maior por causa de sua praticidade, mas eles são mais calóricos, menos saudáveis e são responsáveis pelo aumento da obesidade.

Assim como para os alimentos congelados, a falta de tempo e a necessidade de rapidez favorecem as refeições em restaurantes ou lanchonetes. Em 2002/2003, 22,76% do gasto mensal das famílias com alimentação eram com refeições fora de casa. Em 2008/2009, esse número passou para 29,5%.

A nutricionista Gabriela diz ainda que a escolha por alimentos saudáveis pode ter relação com a renda: “A população mais pobre pode não ter tido acesso às mesmas informações sobre boa alimentação. Além disso, os custos dos alimentos funcionam como uma barreira para a alimentação saudável. Neste caso, a restrição econômica induziria a seleção de dietas mais densas energeticamente”.

A pesquisa do IBGE mostrou que a classe que ganha mais de R$ 10.375 gasta R$ 21,53 por mês com legumes e verduras. Já a classe mais pobre (que ganha até R$ 830), gasta apenas R$ 5,18. Com frutas, os mais ricos gastam R$ 32,57 e os mais pobres, R$ 6,01.

As famílias mais humildes de Santa Catarina não conseguem guardar dinheiro no final do mês. As que recebem até R$ 830 por mês costumam gastar R$ 1.100,12. Famílias que ganham entre R$ 830 e R$ 1.245 gastam R$ 1.360,05. As contas só param de ficar no vermelho a partir das famílias que ganham entre R$ 1.246 e R$ 2.490 e gastam R$ 1.925,16.

29 de jun. de 2010

Economia dá sinais de desaceleração no 2º trimestre

Cálculo do PIB mensal do Itaú Unibanco e indicador Serasa Experian apontam crescimento de apenas 0,1% em abril, em relação a março

Márcia De Chiara | 29/6/2010 - 0h

O ritmo de atividade econômica começou o segundo trimestre deste ano em desaceleração, apontam dois indicadores divulgados ontem e que tentam antecipar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). O PIB mensal calculado tanto pelo Itaú Unibanco como pelo Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica tiveram acréscimo de apenas 0,1% em abril na comparação com março, descontado o comportamento normal da atividade nesse período.

Em março, o indicador da Serasa havia crescido 1,2% em relação a fevereiro e o do Itaú Unibanco, 0,7%. A alta de apenas 0,1% obtida pelo indicador Itaú Unibanco de abril foi a menor registrada nos últimos doze meses em relação ao mês anterior.

Na comparação anual, também houve perda de fôlego. O PIB medido pelo Itaú Unibanco cresceu 9,2% em abril de 2010 em relação ao mesmo mês de 2009, após ter subido 11,1% em março na comparação anual. No indicador da Serasa Experian, a alta anual foi de 8,8% em abril, após ter subido 10,1% em março.

IPI. "O desmonte do pacote tributário anticrise, com a volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) integral para veículos e geladeiras, fogões e máquinas de lavar, afetou o desempenho da indústria e do consumo das famílias em abril", observa o gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi. Pelo indicador, o PIB da indústria recuou 1,8% em abril na comparação com março e o consumo das famílias 0,1% na mesma base de comparação.

Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco, também atribui a perda de ritmo da atividade em abril à volta do IPI e ao fato de a Páscoa deste ano ter caído em março, o que antecipou as compras de supermercados. Depois de o PIB ter crescido 2,7% no primeiro trimestre em relação ao último de 2009, segundo o IBGE, Bicalho projeta crescimento entre 0,5% e 1% para o segundo trimestre.

Apesar de projetarem desaceleração do PIB neste trimestre, Bicalho e Rabi ponderam que em maio houve reação nos indicadores. "No mês a mês, há um movimento de zigue-zague, mas a tendência é de um ritmo menor no trimestre", observa Rabi.

De fato, em maio, os dados de consultas a prazo e à vista fecharam o mês com altas de 12,2% e 17,5% respectivamente, na comparação com abril, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Na primeira quinzena deste mês, o número de consultas para vendas a prazo aumentou 8,8% e, à vista, 12,9%.

"Poderemos fechar junho com queda de 2% nas vendas a prazo em relação a maio e estabilidade nos negócios à vista", prevê Emílio Alfieri, economista da ACSP. Ele diz que pode ter havido perda de venda por causa dos dias parados nos jogos do Brasil na Copa e o calor intenso da última semana que afetou a comercialização dos itens de inverno.

28 de jun. de 2010

Poder de compra da nova classe média eleva consumo de cerveja no Brasil

28/06/2010 | 10h32min

No ano passado, o consumo nacional de cerveja cresceu 10,9%

A temperatura favorável e o aumento de renda das classes C, D e E deverão contribuir para elevar o consumo de cerveja no Brasil este ano entre 10% e 12%. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

No ano passado, o consumo nacional de cerveja cresceu 10,9%, contra 10,4% no ano anterior, apesar da crise econômica internacional. O mercado somou 10,91 bilhões de litros de cerveja fabricados e comercializados em todo o país, gerando um faturamento bruto de R$ 31 bilhões em 2009.

O consumo brasileiro de cerveja, porém, está muito abaixo de países onde essa cultura já é uma tradição. É o caso da Alemanha, por exemplo, onde a primeira cervejaria tem mil anos de criação. Entre os alemães, o consumo per capita (por habitante) está em torno de 120 litros/ano, de acordo com o Sindicerv.

Na República Checa, o consumo por pessoa supera 150 litros anuais e no Brasil ainda não alcançou 60 litros/ano. O coordenador da Área de Educação do Centro de Tecnologia de Alimentos e Bebidas (CTS) de Vassouras (RJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), José Gonçalves, disse que mesmo na América Latina, o consumo brasileiro de cerveja é suplantado pelo de países como a Colômbia e a Venezuela, de 70 litros per capita, em média, por ano.

— No mínimo, o Brasil deveria estar equiparado a esses países — avalia.

O CTS/Senai de Vassouras é responsável pela única escola que forma cervejeiros no Brasil e é referência para a América Latina.