Vai e vem no comando das operadoras: quem ganha e quem perde
Nas últimas semanas, assistimos a tensa disputa da Telefónica pela parte da Vivo controlada pela Portugal Telecom. Depois de muito vai-e-vem e até troca de acusações (o presidente da PT acusou a Telefónica de chantagem), finalmente o negócio foi fechado. A Vivo, até então dividida meio a meio entre as duas gigantes, passa definitivamente para as mãos dos espanhóis.
Do outro lado, os portugueses compraram 23% na Oi. Que também passou por um (vergonhoso) troca-troca recentemente, e hoje incorpora Telemar e Brasil Telecom. E a Oi está comprando 10% de participação na PT.
Que confusão!
A Bolsa ficou movimentadíssima: as ações da Telemar caíram (pela compra de ações de uma empresa com muitas dívidas), e as da Vivo – que terá um único comando solidificado – subiram. A Oi sai “ganhando” na medida em que fica menos endividada, mas quem está feliz da vida mesmo é a Telefónica.
Uma nova gigante nas telecomunicações
A Telefónica pagou caro pela Vivo, mas era uma ação de vida ou morte para as atividades da empresa no Brasil. Dominante no segmento da telefonia fixa, começou a ter sérios problemas com o avanço da móvel. Diversificar os serviços passou a ser questão de vida ou morte por 2 motivos:
1. Diminuição de clientes de telefonia fixa. No país do celular pré-pago, para muitos usuários o telefone fixo em casa – pagando mensalidades altas – passou a ser uma despesa a se descartar. Diminuindo a base de clientes, a receita também diminui. Hoje temos no país 41 milhões de linhas de telefonia fixa ativas e 181 milhões na móvel! Adquirindo uma empresa de telefonia móvel, é possível diversificar os serviços e oferecer pacotes combinados. E nem citamos aqui o mercado da TV por assinatura. (Olha a venda casada chegando aí, gente!)
2. Despesas não param de crescer. A demanda por banda larga fixa está em expansão. As empresas tem sido obrigadas a injetar dinheiro nas redes constantemente, mas os preços estão diminuindo frente à disputa com outras operadoras e empresas de TV a cabo.
Em suma: não há mais como fugir da convergência.
O que muda para o consumidor?
Para você, consumidor, nada vai mudar. Em vez de recebermos gente nova, continuamos à mercê de um punhadinho de grupos estrangeiros dominando a telefonia fixa e móvel no Brasil. Voltamos à era colonial nas telecomunicações, com Portugal e Espanha dominando esse mercado…
A Anatel dará seu aval nos próximos dias, mas já sabemos que, no fundo, ela não tem poder nenhum. É uma entidade cada vez mais enfraquecida. A compra da Brasil Telecom foi péssima para nós, com a diminuição dos investimentos e falta de perspectiva de melhoria dos serviços. A Anatel não intermediou nada, tudo foi feito com uma ajudinha dos altos escalões do governo… E a lei foi alterada para que a fusão fosse possível, lembra?
Então, para que Anatel, não é mesmo?
Temos que fazer mais pressão e cobrar melhor qualidade nos serviços e no atendimento ao consumidor. Mas verdade seja dita: sem concorrência de verdade, as chances de mudança são poucas.
A GVT (controlada pela francesa Vivendi) deve entrar esse ano no ramo da TV por assinatura. Enquanto isso, ela está montando toda uma infra-estrutura de ponta, no aguardo dos leilões para exploração da tecnologia 4G, talvez em 2012.
Pessoalmente, sempre procurei fugir da Telefónica. Mas não tem jeito, na manhã seguinte eu acordo cliente deles de volta. É o que acontece quando muitos ficam na mão de poucos.
Bia Kunze | 02/08/2010 | 16h42
Mostrando postagens com marcador telecomunicações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador telecomunicações. Mostrar todas as postagens
2 de ago. de 2010
A Telefónica pagou caro pela Vivo, mas era uma ação de vida ou morte para as atividades da empresa no Brasil.
27 de jul. de 2010
Como será que essa medida irá nos favorecer? Ou será que vai piorar?
Anatel determina fim de venda casada da banda larga
São Paulo - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adotou medidas cautelares contra operadoras no tocante a venda casada de banda larga, entre outras práticas.
Conforme nota da agência reguladora, o superintendente de Serviços Privados interino adotou "medidas acautelatórias" contra Brasil Telecom (do Grupo (Oi), Companhia de Telecomunicações do Brasil Central (CTBC), Global Village Telecom Ltda. (GVT), Telemar Norte Leste S/A (Oi) e Telecomunicações de São Paulo S/A (Telesp; (Telefônica), determinando que sejam interrompidas determinadas práticas, como venda casada do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM, licença que permite oferecer banda larga) com outros serviços de telecomunicações, inclusive o de telefonia fixa (STFC).
As outras medidas são contra condicionamento de vantagens para o assinante do SCM mediante contratação de linha fixa (STFC) ou de outros serviços, salvo em promoções; ônus excessivos ao interessado na contratação da banda larga quando comparado à oferta em conjunto com outros serviços, forçando venda casada; e uso do preço da banda larga (SCM) "como mecanismo de recusa de oferta do serviço em separado, inclusive a fixação de preço do serviço em separado em valor superior à oferta conjunta de menor preço contendo SCM de características semelhantes."
A Anatel ressalta que as cautelares não têm a intenção de restringir a liberdade de preços praticados pelas empresas, já que o SCM é prestado em regime privado, de preço livre. Ainda conforme a nota, a agência está analisando os recursos apresentados pelas empresas, exceto a Telesp (Telefônica), que não apresentou recurso.
27/07/2010 | 16:00 
Marcadores:
banda larga,
legislação,
telecomunicações
20 de jul. de 2010
Escolhido para ocupar a presidência da Telebrás.
O general da banda larga

Santanna: "Banda larga virou tema central e pode sobreviver a uma troca de governo"

O que pensa e o que planeja Rogério Santanna, o homem forte das telecomunicações no Brasil
Por Rodolfo Borges
Logo que foi escolhido para ocupar a presidência da Telebrás, em maio, com a incumbência de gerir o Plano Nacional de Banda Larga, o engenheiro Rogério Santanna fez questão de se reportar ao ex-secretário de Comunicação Luiz Gushiken.
“O senhor já foi embora, mas eu ainda estou aqui com aquela missão.” O dever a que Santanna se refere começou em 2003, quando a falência da AES (dona de 51% da Eletronet) deixou ociosa uma rede de 16 mil quilômetros de fibra óptica.
“O senhor já foi embora, mas eu ainda estou aqui com aquela missão.” O dever a que Santanna se refere começou em 2003, quando a falência da AES (dona de 51% da Eletronet) deixou ociosa uma rede de 16 mil quilômetros de fibra óptica.
Santanna: "Banda larga virou tema central e pode sobreviver a uma troca de governo"
“Quando Gushiken me chamou, disse que precisava de um general para tratar do assunto. Aceitei o desafio”, lembra Santanna. Durante esse tempo, o engenheiro mecânico, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trabalhou para convencer pessoas fora e, principalmente, dentro do governo – entre elas a cética ministra da Casa Civil Dilma Rousseff – sobre a importância de democratizar o acesso à internet no País. Hoje, ele comemora o sucesso obtido. “A banda larga virou um tema central e tem força para sobreviver a uma troca de governo”, acredita.
Nos próximos seis meses, Santanna – que com o novo cargo se transformou no homem forte do setor de telecomunicações no Brasil – terá que convencer o país de que não apenas a banda larga, mas o plano escolhido pelo governo fará bem aos brasileiros.
O retorno de uma estatal como a Telebrás, cuja aposentadoria colaborou para o desenvolvimento da telefonia no país, assustou o mercado de telecomunicações. As empresas privadas alegavam que não era necessário o renascimento da empresa. Elas temem também que a empresa passe a competir com elas.
Mas Santanna diz que a empresa quer justamente assegurar a competição e inovação no Brasil. “Vai acontecer exatamente o contrário do que o mercado prevê. O negócio vai aquecer”, disse à DINHEIRO. Pelos cálculos do governo, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) vai movimentar R$ 13 bilhões até 2014 somente em investimento público.
Nos próximos seis meses, Santanna – que com o novo cargo se transformou no homem forte do setor de telecomunicações no Brasil – terá que convencer o país de que não apenas a banda larga, mas o plano escolhido pelo governo fará bem aos brasileiros.
O retorno de uma estatal como a Telebrás, cuja aposentadoria colaborou para o desenvolvimento da telefonia no país, assustou o mercado de telecomunicações. As empresas privadas alegavam que não era necessário o renascimento da empresa. Elas temem também que a empresa passe a competir com elas.
Mas Santanna diz que a empresa quer justamente assegurar a competição e inovação no Brasil. “Vai acontecer exatamente o contrário do que o mercado prevê. O negócio vai aquecer”, disse à DINHEIRO. Pelos cálculos do governo, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) vai movimentar R$ 13 bilhões até 2014 somente em investimento público.
Recursos que já atraem empresas como a chinesa ZTE, que anunciou a intenção de construir uma fábrica de equipamentos de infraestrutura em Campinas. “A Telebrás pode ser nossa cliente”, disse o vice-presidente da ZTE, Wu Zengqi.
Para fazer jus às promessas, a Telebrás precisa apertar o passo. A nova sede da empresa ainda não foi montada. Dela depende o início do trabalho de 60 técnicos da empresa que estavam cedidos à Anatel. A empresa já tem estatuto e o presidente do conselho será Cezar Álvares, assessor direto do presidente Lula, amigo de Santanna e a face oculta do projeto que recriou a estatal.
A valorização de 36.000% nas ações da Telebrás desde o início do governo Lula – em uma flagrante especulação na qual a CVM nada fez – colaborou para o clima de desconfiança que deve acompanhar a estatal pelo menos nos primeiros meses de existência, e que exige do presidente da empresa constantes desmentidos e garantias.
O estatuto permite que a empresa atue na ponta, vendendo planos de internet diretamente aos consumidores. Mas ele garante que esta não é a intenção. Autoriza também comprar empresas fornecedoras, inclusive no Exterior.
Na semana passada, o DEM entrou com ação no Supremo Tribunal Federal para impedir a ativação da Telebrás. “As críticas que recebemos são esperadas, mas e se a empresa funcionar, o que vai acontecer com esse discurso de ‘elefante branco’? E se o preço realmente baixar?”, questiona. Só quando isso se confirmar, o general terá, enfim, cumprido sua missão.
Para fazer jus às promessas, a Telebrás precisa apertar o passo. A nova sede da empresa ainda não foi montada. Dela depende o início do trabalho de 60 técnicos da empresa que estavam cedidos à Anatel. A empresa já tem estatuto e o presidente do conselho será Cezar Álvares, assessor direto do presidente Lula, amigo de Santanna e a face oculta do projeto que recriou a estatal.
A valorização de 36.000% nas ações da Telebrás desde o início do governo Lula – em uma flagrante especulação na qual a CVM nada fez – colaborou para o clima de desconfiança que deve acompanhar a estatal pelo menos nos primeiros meses de existência, e que exige do presidente da empresa constantes desmentidos e garantias.
O estatuto permite que a empresa atue na ponta, vendendo planos de internet diretamente aos consumidores. Mas ele garante que esta não é a intenção. Autoriza também comprar empresas fornecedoras, inclusive no Exterior.
Na semana passada, o DEM entrou com ação no Supremo Tribunal Federal para impedir a ativação da Telebrás. “As críticas que recebemos são esperadas, mas e se a empresa funcionar, o que vai acontecer com esse discurso de ‘elefante branco’? E se o preço realmente baixar?”, questiona. Só quando isso se confirmar, o general terá, enfim, cumprido sua missão.
16/7/2010 - 21h
Assinar:
Postagens (Atom)




