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13 de fev. de 2011

Path to Zero

A rota para alcançar o zero. Esta é a tradução literal do ambicioso programa de sustentabilidade da unidade do Reino Unido e Irlanda da PepsiCo – segunda maior empresa de alimentos e bebidas do mundo. Lançado em 2008, o Path to Zero pretende, dentre outras metas, eliminar o uso de combustíveis fósseis em toda a sua cadeia produtiva até 2023.

Desde o início do plano, algumas reduções foram alcançadas: 14,6% no consumo de água; 0,5% na emissão de gases estufa; 71% em resíduos e 4,1% em energia. No segundo relatório de sustentabilidade da unidade, divulgado em janeiro, algumas metas deste programa foram revistas para que a trajetória rumo à “isenção ambiental” seja trilhada de forma concreta. “Essa abordagem não é simplesmente altruísta. Construir a sustentabilidade e a saúde em nosso DNA corporativo desenvolve uma estratégia de longo prazo. Negócios sustentáveis podem cortar custos, incentivar a inovação, reduzir riscos e motivar colaboradores. E também podem ajudar nossos consumidores de varejo a aumentar sua lealdade de consumo”, afirmou Richard Evans, presidente da unidade PepsiCo do Reino Unido e Irlanda, durante lançamento do documento.

A subsidiária em questão emprega mais de cinco mil funcionários e conta com 18 fábricas na região. Por conta desta grande presença, os planos ambientais são agressivos. A segunda fase do Path to Zero atuará em quatro áreas: mudanças climáticas, agricultura, uso da água e impacto do produto. Para a grande redução do uso dos combustíveis fósseis, principal meta da empresa, será preciso incrementar em 14% o uso de fontes renováveis de energia em um prazo de três anos. Hoje, a unidade tem 20% de sua energia oriunda de fontes renováveis. Esse aspecto é importante para a visão global da companhia, já que, nos Estados Unidos, a PepsiCo anunciou investimento de mais de US$ 30 milhões até 2013 para o desenvolvimento de projetos de energias renováveis, como a eólica e a biomassa.

A maior fábrica de batatas chips da PepsiCo global fica em Leicester, no Reino Unido, assim como uma grande indústria de aveia Quaker, na Escócia. Portanto, a questão do cultivo das matérias primas é peça importante na equação do plano ambiental. Para a produção de seus três principais produtos – batatas chips da marca Walker, aveia Quaker e suco de maçã Copella – a Pepsico cultiva um bom relacionamento com cerca de 350 fazendeiros. Em 2009, foram produzidas 370 mil toneladas de batatas inglesas, 76 mil toneladas de aveia e 29 mil toneladas de maçãs. Para atingir a meta 50 em 5, estabelecida como a redução da emissão dos gases estufa e do uso da água em 50% até 2015, será necessária a parceria com estes colaboradores para a capacitação de práticas agrícolas sustentáveis.

A PepsiCo firmou acordo com a União Nacional dos Fazendeiros do Reino Unido, para o alcance das metas estabelecidas. Além disso, atuará em conjunto com o Serviço de Conselho em Desenvolvimento Agrícola, para investigar as melhores práticas acerca da sustentabilidade agrícola; com o Inglaterra Natural, para o aumento da preservação da biodiversidade onde as fábricas estão localizadas; com a Universidade de Aberdeen, para a criação do Cool Farm Tool, ferramenta que medirá a emissão dos gases estufa nas atividades agrícolas cotidianas; e com o Carbon Disclosure Project, para o compartilhamento dos índices de emissões e as melhores práticas com outras indústrias, dentre outras ações.

No que se refere ao uso da água, a intenção da unidade é zerar o consumo no processo produtivo. Isso seria possível com a utilização em larga escala de uma tecnologia capaz de remover água das batatas usadas na produção das chips. O VP de Operações, Walter Todd, explica: “cerca de 80% da composição da batata é água. Antes, essa água era perdida durante o processo de cozimento, mas agora estamos desenvolvendo um processo para capturar essa água e utilizá-la para lavar as batatas antes de serem cozidas”. Com relação ao produto final, a empresa assumiu o compromisso para que todas as embalagens sejam recicláveis ou compostáveis até 2018. Hoje, a embalagem de somente uma categoria de produto, a Sun Chips, é 100% compostável.

Abordagem global da Pepsico

O conceito de atuação da PepsiCo está baseado na “performance com propósito”, o que significa “entregar crescimento sustentável ao investir em um futuro saudável para a população e o planeta.” Para realizar isso, suas ações estão baseadas em um negócio comprometido com quatro questões fundamentais: água; terra e embalagens; mudanças climáticas, e relacionamento com as comunidades. O caminho para o zero apoia todas essas ambições, mas considera circunstâncias específicas de negócio no Reino Unido e Irlanda.

Com relação à água, a meta global da PepsiCo é aumentar a eficiência do uso do insumo em 20% por cada unidade de produção até 2015, além de oferecer água potável para três milhões de pessoas em países emergentes até o mesmo período. Para a terra e embalagens, a intenção é incorporar no mínimo 10% de PET reciclado às embalagens das bebidas produzidas; criar parcerias que promovam o aumento da reciclagem de embalagens em 50% até 2018, e reduzir o peso do lixo oriundo das embalagens em 350 milhões de toneladas até o fim de 2012. Na questão das mudanças climáticas, a proposta é aumentar a eficiência energética da produção em 20% por unidade até 2015 e reduzir a emissão dos gases estufa em 25% até 2015, de toda a rede. No relacionamento com as comunidades, a aplicação de práticas sustentáveis nas fazendas parceiras, além do oferecimento de suporte técnico e educação ambiental para treinamento dos fazendeiros, são as principais ações.

Sustentabilidade é atitude norteadora

A PepsiCo é reconhecida por colocar a sustentabilidade como sua principal bandeira. O projeto Pepsi Refresh, em que US$ 20 milhões foram investidos em projetos socioambientais que contaram com a colaboração de outros públicos, é um dos exemplos. A edição 2011 deve ser lançada em abril.

Outro caso é o Eco-Challenge, desenvolvido pelo segundo ano pela unidade brasileira da PepsiCo, em parceria com a Young Americas Business Trust (YABT), ONG que atua em colaboração com a Organização dos Estados Americanos (OEA). Trata-se de um concurso que pretende estimular a consciência sobre a preservação do meio ambiente. Os participantes podem criar um projeto social ou empresarial baseado nos desafios da conservação da água e o vencedor ganhará R$ 5 mil, além de ter sua ação concretizada.

* Por Leticia Born. Esta reportagem foi publicada originalmente no portal Com:Atitude, da Edelman Significa, e agora no Mundo do Marketing de acordo com parceria que os dois portais mantêm.

16 de nov. de 2010

Uso da água duplicou em relação ao crescimento da população.

Racionalidade no uso de água

O uso racional e responsável da água é fundamental para o futuro da humanidade. O acelerado crescimento demográfico, a mudança de intensidade de consumo e a evolução do desenvolvimento das atividades antrópicas criam conflitos e pressão sobre os recursos hídricos existentes.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no século 20, o uso da água cresceu duas vezes mais rapidamente do que a população. A água torna-se cada vez mais escassa, ate mesmo no Brasil, que detém de 12% a 16% do total de água doce do planeta.

A questão muitas vezes não se resume à existência de recursos hídricos, mas sim às condições de acesso à água. O Nordeste, com 29% da população, conta com apenas 3% dos recursos hídricos do país, enquanto que o Norte com 7% dos habitantes, tem 68%. Até na Amazônia, pela precária infra-estrutura, há pessoas não atendidas pela rede de distribuição

As condições de saneamento básico também continuam muito precárias. Saneamento básico é captar, tratar e distribuir a água para o consumo das populações; recolher e tratar o esgoto doméstico antes de permitir seu retorno aos mananciais hídricos superficiais e subterrâneos e tratar da questão dos resíduos sólidos (lixo doméstico). Não adianta a pessoa receber água tratada e ter péssimas condições higiênicas em função dos resíduos sólidos mal acondicionados, mal coletados ou mal destinados.

Mais da metade do esgoto produzido no país não recebe tratamento e é despejado diretamente nos rios, mares, lagos e mananciais. Além disso, o desperdício de água tratada é muito grande. Só na distribuição, as perdas podem chegar a 65% do que é captado nos mananciais. A média de consumo do brasileiro é de 50 litros por dia, quase o dobro do que a Organização Mundial da Saúde considera suficiente para uma pessoa. Na verdade nem se sabe o que é consumo e o que é perda do sistema, com um nível de eficiência muito baixo.

Podem ser implementadas sugestões para evitar o desperdício, e a contribuição de todos é fundamental.

Banho:

  • Não tome banhos demorados e feche a torneira enquanto se ensaboa. A cada minuto, mais de 20 litros de água vão embora pelo ralo.
  • Coloque um balde embaixo do chuveiro para armazenar a água enquanto ela não esquenta. Essa água pode ser utilizada para outras atividades como colocar a roupa de molho.
  • Caso seja viável, instale redutores de vazão. Eles diminuem a quantidade de água liberada pelo chuveiro.

Pia do banheiro:

  • Não escove os dentes ou faça a barba com a torneira aberta.
  • Instale aerador ou arejador (dispositivos que liberam ar ao mesmo tempo que água) nas torneiras da cozinha e do banheiro. Se possível, prefira o arejador de vazão constante (que faz com que a água saia da torneira em fluxo contínuo).

Cozinha:

  • Ao lavar a louça use a bacia ou a própria cuba da pia para deixar os pratos e talheres de molho por alguns minutos, antes da lavagem. Isso ajuda a soltar a sujeira.
  • Não deixe a torneira aberta enquanto os ensaboa. Você estará economizando dezenas de litros de água. Gotejando, uma torneira chega a um desperdício entre 40 e 50 litros por dia, variando conforme a intensidade.
  • Sempre verifique se a torneira está bem fechada e se não há vazamentos. Se puder, use também o redutor de vazão e torneiras com aeradores.
  • Se usar maquina de lavar louça, ligue-a somente quando estiver com toda sua capacidade preenchida.

Bacia sanitária:

  • Não use a privada como lixeira e nunca acione a descarga sem necessidade.
  • Mantenha a válvula sempre regulada e conserte os vazamentos assim que eles forem notados.
  • Quando construir ou reformar dê preferência às caixas de descargas no lugar de válvulas. Uma bacia sanitária acoplada com caixa d’água libera apenas 6 litros de água por descarga, reduzindo o consumo em 50%.

Lavanderia e área de serviço:

  • Deixe as roupas de molho por algum tempo antes de lavar.
  • Use a maquina de lavar roupas com carga máxima.
  • Evite o excesso de sabão, que aumenta o numero de enxágües necessários.

Quintal, jardim e vasos:

  • Não regue as plantas nas horas quentes do dia. Muita água evapora antes mesmo de atingir as raízes.
  • Molhe apenas a base, e não as folhas.
  • Aproveite a água da chuva quando puder. Você pode armazená-la em recipientes colocados nas saídas das calhas para depois usá-la para regar as plantas.
  • Para lavar a calçada e o pátio, não use mangueira. Use vassoura e balde, reutilizando a água do molho das roupas.

Construção ou reforma:

  • Mantenha jardins ou áreas vazadas para que o solo possa absorver a água da chuva. Você estará contribuindo para a reposição da água do lençol freático.

Lavagem de carro:

  • Use balde em vez de mangueira. Com a mangueira gasta-se mais de 500 litros de água para lavar um carro. Com balde, o gasto é de apenas 40 litros.

Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS.

16/11/2010

9 de nov. de 2010

Busca por uma economia de baixo carbono no Brasil

Estudo mostra os principais entraves e oportunidades dos financiamentos verdes

mundo verde

O setor financeiro público brasileiro tem um papel-chave na disponibilização dos recursos necessários para o financiamento de uma economia de baixo carbono. A afirmação faz parte do estudo Financiamentos Públicos e Mudança do Clima - Análise de Bancos Públicos e Fundos Constitucionais Brasileiros, elaborado e coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV/EAESP (GVces) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com apoio da Embaixada Britânica.

O estudo foi lançado nesta terça-feira, 9, em evento em São Paulo, e analisa o planejamento estratégico das instituições bancárias públicas no âmbito das mudanças climáticas.

"O objetivo do estudo é trazer à tona uma avaliação das políticas e práticas de bancos e fundos públicos brasileiros quanto à redução do impacto climático de suas operações", explica Gladis Ribeiro, do GVces.

Para Cristina Montenegro, representante do PNUMA no Brasil, é essencial que o setor financeiro público se conscientize do seu papel na busca por uma economia de baixo carbono no Brasil. "Todas as instituições pesquisadas são signatárias do Protocolo Verde, o que reforça a importância de atuarem como precursores e multiplicadores da responsabilidade socioambiental do setor bancário", diz Montenegro.

Financiamento como visão estratégica

De acordo com o estudo, o comprometimento dessas instituições com a mudança do clima, embora esteja formalizado, ainda é difuso e requer uma maior abordagem estratégica. Apesar da conscientização sobre o tema, ainda existem grandes desafios para a elaboração de uma visão institucional mais elaborada em relação ao tema, que é o maior desafio do século XXI.

Para a pesquisadora de finanças sustentáveis da equipe de Sustentabilidade Empresarial do GVces, Paula Peirão, "as instituições reconhecem a importância do financiamento público como indutor de uma economia de baixo carbono, mas o processo decisório ainda é orientado por objetivos pontuais, de curto prazo e com baixo envolvimento da alta gerência."

Peirão explica que não existe acompanhamento e cooperação entre as instituições financeiras, "o que poderia ser um ponto de partida para a criação de uma linha de base que pudesse monitorar as ações individuais das instituições financeiras públicas no país".

Eficácia e monitoramento dos produtos verdes

O relatório aponta que produtos direcionados para redução de gases de efeito estufa ainda têm baixa representatividade. Produtos tradicionais podem atender necessidades de clientes no que se refere à redução de emissões, porém, "sem o controle dos impactos de produtos tradicionais direcionados para ações de menor emissão de carbono, não há como avaliar os benefícios ambientais dos projetos financiados", avalia Gladis Ribeiro.

Também foi identificado que muitas vezes o montante disponibilizado para um produto ou linha verde de crédito é muito superior à sua contratação efetiva. Com isso, tais financiamentos acabam não sendo atrativos para os clientes, pois em geral têm um processo de contratação mais complexo, quando comparados a financiamentos tradicionais.

Segundo dados do Tribunal de Contas da União, entre 2008 e 2009, as linhas de crédito público dos programas de investimento em sistemas sustentáveis e recuperação de áreas degradadas, por exemplo, tiveram apenas 25% de utilização.

"Existe ainda um amplo espaço a ser ocupado pelas instituições no que se refere ao monitoramento, consolidação e padronização de informações, que promovem o alinhamento entre esses produtos e ferramentas", explica Paula Peirão. "Isso evitaria a ocorrência de ações dispersas e contraditórias."

Outro ponto identificado durante a pesquisa trata das soluções financeiras para adaptação e vulnerabilidade à mudança do clima. De acordo com os pesquisadores, estas são oportunidades pouco exploradas pelas instituições. Os bancos públicos podem liderar este processo por meio do financiamento sustentável em áreas como agropecuária, segurança hídrica e planejamento urbano e de zonas costeiras.

Para o coordenador-geral do GVces, Mario Monzoni, "os resultados podem subsidiar tomadores de decisões em seus processos de formulação de políticas públicas de combate aos efeitos das mudanças climáticas e, assim, promover o alinhamento do Brasil com os objetivos da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Protocolo de Quioto, Plano de Bali e Acordo de Copenhague".

Fizeram parte da pesquisa os seguintes bancos: BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal; Fundo Constitucional do Norte, Fundo Constitucional do Nordeste e Fundo Constitucional do Centro-Oeste, geridos pelo Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e Banco do Brasil, respectivamente.

09/11/2010 | 15h35

Experimentar novas e múltiplas maneiras de encarar a sociedade e enfrentar os dilemas da civilização.

Colaboração, diversão e arte

Na conferência TEDxAmazônia, em meio a projetos inovadores em design e sustentabilidade, experiências mostram que é possível até mudar o mundo de maneira rápida, divertida e sem pôr a mão no bolso.

TEDx Amazonia

Esqueça fórmulas. Uma conferência ao estilo TED transmite experiências e inspira projetos, mas não impõe um formato ou um modelo para se tentar mudar o mundo. Ao compartilhar ideias e conceitos vindos de diferentes partes do planeta e de pessoas de perfis distintos, a proposta é levar a plateia a experimentar novas e múltiplas maneiras de encarar a sociedade e enfrentar os dilemas da civilização. Entre eles, claro, o impacto das mudanças climáticas. Com o TEDxAmazônia não podia ser diferente.

Realizado no final de semana em que São Paulo atraiu a atenção do público internacional (dias 6 e 7) – afinal, aconteceu a etapa brasileira da Fórmula 1, um evento esportivo bastante prestigiado -, o encontro amazônico reuniu cerca de 550 homens e mulheres, dos mais variados campos de atuação, no hotel Amazon Jungle Palace, uma instalação flutuante localizada a quase duas horas de barco de Manaus.

O tema “Qualidade de vida para todas as espécies” norteou os blocos organizados segundo propostas como “viver melhor”, “colaborar melhor” e “produzir melhor”. Ao todo foram 51 palestras , além de uma apresentação da Orquestra Barroca do Amazonas.  A abertura coube ao brasileiro Antônio Nóbrega, que abordou a dança, dividindo-a em três tipos de manifestações culturais (batuques, cortejos e espetáculos populares), e colocou o público para girar em uma grande ciranda. E o encerramento ficou com o norte-americano Gordon Hampton, um “caçador de sons”, que discorreu sobre a importância do escutar, principalmente captar os sons da natureza. O TEDxAM acabou sob silêncio, a pedido do palestrante. Um silêncio que perdurou por minutos como se ecoasse pela mente de cada um dos participantes.

Esses dois momentos extremos – o da animada explosão de energia e o da quietude para refletir e perceber – se somaram a outros que marcaram o evento. Alguns temas tiveram pontos em comum, caso da importância da diversão (para fazer algo de modo eficaz é preciso ter alegria e se divertir com a atividade) e do espírito de comunidade (o que remete aos princípios da colaboração e do compartilhamento, já tão falados nos meios publicitários).

Das apresentações que discutiram o poder da diversão, um dos destaques foi o arquiteto e urbanista Edgard Gouveia Jr, presidente do Instituto Elo, de Santos (SP), e fundador do programa Guerreiros Sem Armas, que revitaliza espaços públicos por meio de trabalhos comunitários. “Mudar o mundo pode ser rápido, divertido e não precisa pôr a mão no bolso”, disse. Por trás disso, está a ideia de que as pessoas dispostas a fazer algo podem usar sua rede de amigos para colocar em ação um projeto que, sem esse apoio, poderia estar fadado a nunca sair do papel.

Gouveia mostrou que isso pode dar certo ao apresentar o resultado de uma experiência desenvolvida para ajudar os desabrigados de Santa Catarina atingidos pelas enchentes do ano passado. Foi criado um jogo, o Oásis Santa Catarina, que se espalhou pela internet. Dessa forma, foram atraídos jovens de diferentes regiões do País, que se agruparam em três times. Eles recebiam tarefas semanais, tudo para poder atender aos desejos dos moradores das cidades afetadas. Ao final, 12 comunidades foram beneficiadas e 43 equipamentos para o espaço público (como playground) foram criados. E isso em cinco dias. “Brincando todo mundo é um empreendedor. A escala de desafio global que temos exige que todos batam um bolão”, completou.

Participação

No bloco “Colaborar melhor”, o norte-americano Aaron Kablin, um artista especializado em visualização de dados, ressaltou que o mundo conectado dá impulso a centenas de decisões e que os recursos tecnológicos ampliam as possibilidades de colaboração. Ele apresentou alguns trabalhos que fez com participação do público. Um deles, o Johnny Cash Project, em que as pessoas eram estimulados a criar desenhos como um tributo ao cantor e com base na música “Ain’t no grave”, aplicados depois em vídeo.

Outro trabalho famoso foi a criação do vídeo para “House of Cards”, da banda Radiohead. Kablin utilizou lasers e sensores para escanear os músicos. Os códigos foram disponibilizados numa ferramenta do Google. A empresa contratou o artista para trabalhar no Google Creative Lab. Lá, fez o projeto The Wilderness Downtown, para o grupo Arcade Fire, utilizando HTML 5 em um processo interativo no qual internautas faziam referências a endereços da infância.

Design thinking

Entre a arte e o design, um dos palestrantes que arrancou aplausos dos participantes foi Paul Bennett, sócio e CCO da Ideo, consultoria de design e inovação, que já atuou para Havaianas. Com bom humor, ele abriu sua apresentação dizendo que tem a resposta para tudo. Depois, mais sério, Bennett apontou que o rio Amazonas pode ser um professor para o design thinking.

"O Amazonas tem praticado design thinking há muito tempo. A natureza é um poderoso desenhador de sistemas", comentou. Bennett estabeleceu cinco princípios de design com base no que depreendeu do rio, seu curso e dos seres interligados pela ação de suas águas.

São eles: as profundezas ocultas são silenciosas (“Quanto menos eu falo, mais eu aprendo”, afirmou Bennett, dando a entender que é preciso ouvir bastante antes de criar um projeto), a coexistência respeitosa engendra a sobrevivência (a Ideo criou a Open Ideo para que outras pessoas fora da empresa possam contribuir com ideias), o pequeno multiplicado por muitos fica grande (um exemplo citado de projeto desenhado nessa linha foi o Banco Grameen, de microcrédito, que impulsionou negócios na Índia tocados por gente simples), o afluente leva ao oceano (nesse ponto Bennett se referiu ao design de movimentos e iniciativas), e a natureza é circular (na natureza, os seres aprendem, se adaptam e devolvem ao meio os benefícios que obtiveram). “O design é como o Amazonas. Você tem de olhar para a profundeza. Pode pensar pequeno e crescer. Você estabelece uma relação de interdependência. Você precisa do outro e tem de devolver o que tomou”, resumiu.

O erro da humanidade

Um dos propósitos do TEDxAmazônia foi debater a sustentabilidade. Dito assim, soa simples demais. Não se tratava somente de incentivar as pessoas a se preocupar mais com o tema e a fazer algo. Os palestrantes dividiram com o público resultados de projetos, suas visões de mundo e reanalisaram conceitos. Foi o que fez o mexicano Enrique Leff, economista da ONU que foi um dos pensadores por trás da teoria chamada eco-marxismo. De imediato, ele trouxe a má notícia: “a humanidade errou o caminho de construção da civilização porque esqueceu da natureza”.

Para ele, a crise ambiental não é somente passageira. “Ela é uma crise civilizatória”. Mencionando o filósofo alemão Martin Heidegger, Leff argumentou que desenvolvemos uma civilização do “ser convertido em coisas”. O economista afirmou que dissociamos a cultura da natureza, assim como dissociamos os sentimentos da razão.  “Temos um mundo objetivado e o que mais se globalizou foi a lei do mercado. A natureza foi transformada em recurso natural e nós nos esquecemos que ela mantém a vida. Precisamos construir uma nova racionalidade, na qual possamos viver a razão e a paixão.”

Como sair disso? Leff sustentou que uma solução é a sociedade aprender a pensar na natureza como pensam os indígenas e os camponeses. “Eles sabem viver em seu território. Temos de pensar em produtividade ecológica dentro dos territórios. E não se trata somente de se estabelecer um novo paradigma de produção. Necessitamos de uma ética ambiental. Precisamos acabar com o individualismo. Temos de romper com o pensamento de que este é um mundo unitário. Importante é aprender a estabelecer diálogos de saberes entre seres culturalmente diferenciados. Este mundo, para ser sustentável, tem de saber conviver com a diversidade”.

Lena Castellón | 08/11/2010 | 17h23

A jornalista viajou a Manaus para acompanhar o TEDxAmazônia.

6 de nov. de 2010

Neoconsumir ou Metaconsumidor?

Sustentabilidade entra no carrinho de compras e muda perfil do consumidor

Com os avanços dos meios de consumo, o perfil do consumidor mudou. E ele passou ser chamado de neoconsumidor – aquele que surgiu com o advento dos canais digitais, que permitiram acesso global a marcas, produtos e lojas. Contudo, outras questões começaram a fazer parte das escolhas desses consumidores, as ligadas à sustentabilidade e ao consumo consciente.

Estudo da GS&MD – Gouvêa de Souza denomina esse novo perfil de metaconsumidor. Os pesquisadores identificaram que o metaconsumidor ainda está em seu estágio básico. Contudo, ele já traz mudanças na dinâmica do consumo, alterando as estruturas de negócios, produtos, canais e marcas. “Toda a cadeia produtiva e de consumo enfrentará estas mudanças. Assumir o pioneirismo pode significar o sucesso”, afirmam os pesquisadores no estudo.

Para eles, o crescimento dos metaconsumidores se dará de forma vertiginosa. Saber quem eles são e o que querem, dessa forma, ajuda a entender essa nova dinâmica.
Para traçar esse perfil, a GS&MD ouviu 8.500 consumidores de 17 países do mundo (Canadá, Brasil, Portugal, França, Reino Unido, Austrália, Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Dinamarca, Espanha, China, México, Chile, Itália, Romênia e Turquia) em agosto deste ano.

Novas questões, um novo perfil

As principais mudanças que tornam os consumidores de hoje em metaconsumidores referem-se às questões da sustentabilidade, mesmo que elas ainda não sejam determinantes.

O estudo mostra que a sustentabilidade para os consumidores ainda se restringe à questão ambiental. Contudo, os brasileiros pagariam até 8% a mais para ter um produto sustentável, 44% adotam a sustentabilidade no dia a dia, 66% acreditam que faltam produtos nessa linha e 45% acreditam que sustentabilidade é consumir de maneira equilibrada.

No mundo, 40% dos novos consumidores compram de empresas social e ambientalmente corretas. Nesse quesito, as brasileiras lideram e 56% delas têm o mesmo comportamento. No sentido contrário, 36% dos consumidores consultados evitam comprar produtos de empresas que não agem de maneira socialmente responsável.

Os metaconsumidores também acreditam que as empresas devem passar informações sobre consumo sustentável: 41% têm expectativa de que as empresas eduquem os consumidores nesse sentido. No Brasil, essa expectativa é maior e atinge 70% dos consumidores da classe B2.

Para 27% do total de consumidores consultados, as propagandas de produtos que assumem ser sustentáveis são confiáveis. No Brasil, esse percentual sobe para 45%, considerando os consumidores da classe B2, enquanto no México atinge 47%. Os produtos com elementos reciclados são os preferidos de 32% dos metaconsumidores.
Apesar de todas essas preocupações, os consumidores reconhecem que o consumo excessivo ainda faz parte de suas realidades, atingindo 14% dos pesquisados. No Brasil, esse percentual sobe para 19% entre as mulheres.

Internet como fonte de informação

O novo consumidor, preocupado com as questões ambientais, busca informações sobre produtos sustentáveis. E 63% dessa busca concentra-se na internet. A TV, os jornais e as revistas são utilizados por 52%, 47% e 35% dos entrevistados, respectivamente. Já 28% consultam a família e os amigos quando querem informações dessa natureza. O mesmo percentual busca esse tipo de informação por meio de selos e certificados.
As lojas e as redes sociais são utilizadas por 24% e 18% dos novos consumidores, nesta ordem. Mas 13% afirmam que ainda não se preocupam com esse tipo de informação.

Camila F. de Mendonça | 29/10/2010

17 de ago. de 2010

Comprometimento com o meio ambiente! Porque não dá mais para ser de outro jeito

Não estou preocupado com o impacto nas vendas, diz presidente do Walmart


Héctor Nuñes diz que medidas sustentáveis são prioridades e desafia concorrentes a copiarem modelo da companhia

São Paulo - Diante de uma plateia repleta de executivos das principais empresas do País, inclusive concorrentes da área do varejo, o presidente do Walmart no Brasil, Héctor Nuñes, afirmou não estar preocupado se as medidas sustentáveis adotadas pelo grupo irão afetar as vendas da companhia. "Estamos assumindo um posicionamento de comprometimento com o meio ambiente, porque não dá mais para ser de outro jeito", declarou o executivo em sua palestra sobre sustentabilidade no 1º Fórum de Marketing Empresarial, realizado pela Dória Associados e Editora Referência, neste final de semana, no Guarujá, em SP.



Nuñes disse que o Brasil está à frente da operação norte-americana no quesito de sustentabilidade por conta da Amazônia e que a "saúde" financeira da empresa e o fato de ela ser uma companhia de U$S 400 bilhões, mas "familiar", favorece a atuação local. "Quero comprar todo o produto da população ribeirinha da Amazônia, caso isso evite a prática do garimpo", afirmou.
O executivo detalhou os projetos que o Walmart está implementando na área, como o "Ponta a Ponta", que incentiva os fornecedores a criarem produtos 100% sustentáveis. "Já temos 30 fornecedores envolvidos. Queremos que isso se torne uma cadeia, com aumento de participantes a cada edição". Também falou das medidas para reduzir o uso de sacolas plásticas, com descontos para os consumidores que evitarem a utilização do produto em suas compras. "Já evitamos o uso de 29,5 milhões de sacolas, o que representou R$ 900 mil em descontos."
Questionado, Nuñes disse que não há projeção de tempo para a companhia colher os frutos dos projetos e que, para eles não serem cortados por conta de custos, eles precisam ser incorporados à margem do negócio. "Não quero que os projetos sejam apenas para aparecer em 'power point'".
Para exemplificar o modo de atuação da empresa, o executivo brincou com João Dória Jr., mediador da palestra, dizendo que para reduzir o preço para o consumidor final do Walmart, ele jamais se hospedaria por vontade própria no Sofitel (luxuoso hotél onde acontece o Fórum de Marketing Empresarial). "Se o hotel for limpinho, é o que importa", declarou.

Daniela Dahrouge,  | 16/08/2010 | 15:30

9 de ago. de 2010

Ela é ótima para usar, mas vai sufocar nosso planeta. Essa é uma boa idéia!


Estabelecimentos são multados no Rio por Lei das Sacolas Plásticas




Os estabelecimentos comerciais do Rio de Janeiro que não se adequarem à Lei das Sacolas Plásticas poderão receber multas de R$ 200 a R$ 20 mil a partir de hoje (9).
A lei, que está em vigor desde o dia 16 de julho, prevê descontos para quem optar por não usar sacolas plásticas.
A cada cinco itens comprados, o consumidor terá direito a um desconto de R$ 0,03 do valor total da compra caso não utilize a sacolinha plástica. Já o consumidor que devolver 50 sacolas plásticas terá direito a 1 quilo de arroz ou feijão.
A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, informou que a fiscalização será intensificada.
Até a última sexta-feira (6), os fiscais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) visitaram supermercados e grandes lojas em shoppings e notificaram aqueles que não estavam cumprindo a nova legislação.
"Fizemos grande número de vistorias, que agora também estão sendo feitas no interior do estado. Temos observado que a maior parte dos estabelecimentos comerciais já estão praticando as opções que são dadas para reduzir o uso da sacola plástica. A expectativa é que das 200 milhões de sacolas plásticas que são usadas por mês no estado nós reduzamos cerca de 30%", afirmou Marilene.
Ainda de acordo com a secretária, os estabelecimentos que foram visitados na fase inicial e que receberam a notificação para se adequar à lei agora serão novamente visitados e os que não tiverem se enquadrado serão multados.
O objetivo da lei, segundo o governo, não é acabar com as sacolas plásticas e, sim, educar a população e reduzir a utilização do plástico.
"Estamos fazendo vistorias semanais, acompanhadas pelo Instituto de Educação Ambiental, que buscam esclarecer o consumidor e os proprietários dos estabelecimentos sobre o benefício da lei e como podem contribuir para ajudar o meio ambiente", disse a secretária do Ambiente.
"Grande parte dos estabelecimentos já conhecem a lei. Existe, de fato, uma rede que optou por entrar na Justiça, mas isso não tem sido uma prática. O que nós temos encontrado é uma vontade de colaborar e de se enquadrar na lei", acrescentou.
09/08/10 | 13h11

29 de jul. de 2010

36% dos brasileiros acreditam que uma etiqueta na embalagem é a melhor forma de uma empresa comunicar práticas ambientais.

Embalagens ajudam a promover o consumo consciente

Natura, Do Bem e Goóc divulgam práticas sustentáveis em seus produtos



Os rótulos aparecem como um canal eficaz para as empresas que desejam promover o consumo consciente. Prática comum em mercados mais maduros, onde a questão ambiental está inserida há pelo menos uma década, por aqui, a inclusão de selos e certificados que comuniquem práticas sustentáveis, além de informações a respeito de toda a cadeia produtiva, ainda é rara.
A iniciativa, no entanto, tende a se integrar ao dia a dia das companhias, desde que empresas e consumidores façam a sua parte. Natura, Goóc e Do Bem são algumas das poucas marcas brasileiras que já perceberam a importância de serem transparentes em suas embalagens. Esses são exemplos de companhias que se anteciparam em relação a uma tendência que caminha para tornar-se realidade no país.
Segundo o Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2010, realizado pela Market Analysis, 36% dos brasileiros acreditam que uma etiqueta na embalagem é a melhor forma de uma empresa comunicar práticas ambientais. Em 2007, este número era de 27%. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Apenas dois em cada 10 consumidores brasileiros estão bem informados sobre o comportamento socioambiental de produtos e empresas. Em países da Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, são cerca de seis a oito consumidores sensíveis ao assunto a cada 10.
Mais de 400 rótulos internacionaisEnquanto no mundo existem mais de 400 selos, como indica o Dossiê Unomarketing, lançado em parceria com a Revista Ideia Socioambiental, no Brasil, são poucos os produtos certificados. “As pesquisas indicam uma predisposição do consumidor para comprar produtos verdes, mas como poucas empresas usam certificados e falta informação, a compra efetiva não acontece, o que complica a prática do consumo consciente”, explica Paula Faria, Sócio-Diretor da Sator, agência idealizadora do Unomarketing, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Apesar do estudo realizado pelo jornalista Ricardo Voltolini e pelo especialista em mapeamento Luiz Bouabci apontar a existência de mais de 400 selos, na prática, esse número chega a 600. São certificações preocupadas com a questão sócio-ambiental e com o aspecto econômico. Mas há também uma parcela de selos que não é considerada fonte segura.
Como o excesso de símbolos e informações pode acabar sendo mais confuso do que esclarecedor, a International Organization for Standadization criou a ISO 14001, uma certificação voltada para a gestão ambiental nas empresas, com uma série de normas específicas para garantir a credibilidade dos selos.
Mercado movimentou US$ 5 bi em 2008
Em 2008, o mercado de certificações movimentou US$ 5 bilhões, segundo o autor do livro “Branded! – How to Certification is Transforming Global Corporations” (ainda sem tradução para o português). Há 15 anos, não passava de US$ 1 milhão. Em 12 anos, mais de 300 milhões de hectares de terra receberão certificação, o correspondente a 15% das áreas de manejo florestal do mundo.
Rótulos e selos promovem consumo conscienteDe acordo com o estudo da Market Analysis, 56% dos consumidores da América do Norte, 54% da Oceania, 29% da Europa, 24% da América Central e da Ásia e 11% da América do Sul afirmam preferir produtos sociambientalmente responsáveis. Os primeiros rótulos obrigatórios surgiram na Europa, nos anos 1940, para destacar a presença de substâncias químicas potencialmente danosas à saúde do consumidor.
Mas foi no final dos anos 1970, com o início do movimento ambientalista, que começaram a nascer os primeiros selos verdes. Em 1977, a Alemanha criou o Blue Angel (foto), ainda hoje garantido pelo Ministério do Meio Ambiente do país. O selo certificou e atestou 3,6 mil produtos, segundo critérios como reciclagem e baixa toxicidade. Em 1988, o Canadá instituiu o seu Eco-logo e, em 1989, o Japão implantou o Ecomark. Também em 1989, os Estados Unidos apresentaram o Green Seal e, desde 1992, a União Europeia mantém o Ecolabel.
Natura é exemplo no Brasil
No Brasil, há 17 anos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) mantém um programa de certificação ambiental, mas que ainda não teve nenhum selo certificado. Nos últimos meses, o projeto foi retomado e tem sido reformulado para atender a demanda. Segundo a associação, entre os segmentos com contrato já assinado para o processo de certificação destacam-se os de cosmético, têxtil, siderúrgico, pneus reformados, gráficas, divisórias, pisos e tetos e até o de fabricação de fraldas.
Por aqui, a Natura é a empresa de maior destaque quando o assunto é transparência com o consumidor. “A Natura trabalha em todos os pontos: informações no rótulo, certificações e estudo da pegada carbônica. Talvez ela seja a empresa brasileira que mais se aproxima do padrão ideal”, aponta a idealizadora do Unomarketing.
Rótulos e selos promovem consumo conscienteA Goóc é outra marca que também tem o cuidado de orientar e promover o consumo consciente. Com a sustentabilidade em sua essência, já que fabrica sandálias 80% à base de pneus reciclados, a marca busca destacar o cuidado com o ambiente nas embalagens. Nas caixas, os clientes encontram informações sobre o processo de produção e reutilização de materiais.
“Temos o Cadre (Certificado de Arrecadação de Resíduos), que não é estampado nas embalagens, mas é exigido na hora da retirada de resíduos de fábricas de pneus, como Michelin e Pirelli”, conta Wanderley Moreno Tracastro, CEO da Goóc, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Informações devem integrar todos os canaisComo o espaço da embalagem não é suficiente para inserir todas as informações a respeito da empresa, a Goóc criou um informativo para os consumidores que vai dentro das caixas dos calçados. Já a Do Bem disponibiliza em seu site informações sobre o estudo da Pegada Carbônica, informando o consumidor sobre a quantidade de CO² emitida desde o processo de produção até a distribuição.
“Usamos a embalagem não só para colocar o suco, mas também para interagir com o consumidor. Quando terminamos o estudo da Pegada Carbônica, no ano passado, resolvemos colocar não só no site, como também na caixinha, explicando que o material completo está disponível na internet. Tentamos integrar todos os meios de comunicação e todo espaço que temos para divulgar a mensagem de que é possível produzir produtos mais naturais”,  relata Marcos Leta, CEO da Do Bem, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Rótulos e selos promovem consumo conscienteNo momento, a Do Bem estuda a divulgação do selo Kosher em suas embalagens, conquistado no ano passado e dado pela comunidade judaica para “alimentos tratados/preparados segundo preceitos da religião judaica”. Esse critérios referem-se não só ao tipo da comida, como também à maneira de preparo e à combinação entre os alimentos de uma refeição. Para isso, um rabino acompanhou a produção dos sucos da marca e constatou que não era acrescentado nenhum componente químico aos produtos.
Consumidor e indústria em prol da sustentabilidadeA iniciativa de empresas como a Do Bem ajudam a amadurecer o mercado brasileiro de certificações. Pesquisas indicam que o consumidor brasileiro não tem o hábito de ler rótulos, por isso a importância dos símbolos. “As pessoas se atraem por ícones. Investir em imagens que representam questões sócio-ambientais é o melhor caminho para se pensar em rótulos”, acredita Paula.
Cabe às empresas apostarem em comunicação forte para começar a criar informações e utilizá-las nos rótulos de forma eficiente. É papel também dos consumidores valorizar os selos e rótulos verdes e reconhecer a importância do consumo consciente como instrumento para produzir mudanças no modo como as empresas encaram os aspectos socioambientais em seus processos e produtos. Uma iniciativa de destaque mundial neste sentido é o site Ecolabelling.org, uma espécie de termômetro sobre o que é bem avaliado e que explica os critérios de seleção para os selos verdes.
“O consumidor está um pouco mais atento aos rótulos. Antes, ele só olhava a frente da embalagem. Agora, com as campanhas das próprias empresas e a circulação de informações sobre saúde e bem-estar, o brasileiro está ‘virando para os lados’ e conhecendo as informações nutricionais. Gostaria que houvesse um movimento não só por parte dos consumidores, mas também das pessoas que estão inseridas nas indústrias, querendo mostrar para o consumidor o que realmente tem naquele produto”, aponta Leta, da Do Bem.

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing | 02/07/2010




14 de jul. de 2010

O projeto é voltado para uso nas forças armadas, mas a tecnologia poderia se estender para a aviação comercial.

Avião a hidrogênio voa por 96 horas seguidas

Nave da Boeing, ainda em fase de demonstração, é capaz de alcançar mais de 19 mil metros de altura

São Paulo - A Boeing reveleu no início da semana o Phantom Eye, seu novo sistema de aviação não-tripulada movido a hidrogênio hidrogênio, que gera como único subproduto a água. Ainda em fase de demonstração, a nave "verde" é capaz de voar a mais de 19 mil metros de altura durante quatro dias, sem parar.

A Phantom Eye possui dois tanques com capacidade para 2,3 litros, 150 cavalos de potência em cada um dos seus quatro motores, 45 metros de envergadura de asas, viaja a 277 km/h, e carrega pouco mais de 200 kg de carga.

Nos próximos meses, ela será enviada à ao Centro de Pesquisa de Vôo Dryden, da NASA, na Base Aérea Edwards, Califórnia. Lá, passará por testes em solo para se preparar para o primeiro vôo, no início de 2011, que deve durar entre quatro e oito horas.

Inicialmente, o projeto é voltado para uso nas forças armadas, mas a tecnologia poderia se estender para a aviação comercial.

Além da Boeing e da NASA, outras empresas participam do projeto, como a Ford Motor Company (motores), Aurora Flight Sciences (asas); Mahle Powertrain (controles de propulsão); Ball Aerospace (tanques de combustível) e a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), agência do governo dos Estados Unidos.

Paula Rothman | 14/07/2010 | 16:03

3 de jul. de 2010

Esses são exemplos de companhias que se anteciparam em relação a uma tendência que caminha para tornar-se realidade no país.

Embalagens ajudam a promover o consumo consciente

Natura, Do Bem e Goóc divulgam práticas sustentáveis em seus produtos
Sucos do Bem: embalagem é usada não só para colocar o suco, mas também para interagir com o consumidor
Sucos do Bem: embalagem é usada não só para colocar o suco, mas também para interagir com o consumidor


Rio de Janeiro - Os rótulos aparecem como um canal eficaz para as empresas que desejam promover o consumo consciente. Prática comum em mercados mais maduros, onde a questão ambiental está inserida há pelo menos uma década, por aqui, a inclusão de selos e certificados que comuniquem práticas sustentáveis, além de informações a respeito de toda a cadeia produtiva, ainda é rara.
A iniciativa, no entanto, tende a se integrar ao dia a dia das companhias, desde que empresas e consumidores façam a sua parte. Natura, Goóc e Do Bem são algumas das poucas marcas brasileiras que já perceberam a importância de serem transparentes em suas embalagens. Esses são exemplos de companhias que se anteciparam em relação a uma tendência que caminha para tornar-se realidade no país.
Segundo o Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2010, realizado pela Market Analysis, 36% dos brasileiros acreditam que uma etiqueta na embalagem é a melhor forma de uma empresa comunicar práticas ambientais. Em 2007, este número era de 27%. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Apenas dois em cada 10 consumidores brasileiros estão bem informados sobre o comportamento socioambiental de produtos e empresas. Em países da Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, são cerca de seis a oito consumidores sensíveis ao assunto a cada 10.
Mais de 400 rótulos internacionais
Enquanto no mundo existem mais de 400 selos, como indica o Dossiê Unomarketing, lançado em parceria com a Revista Ideia Socioambiental, no Brasil, são poucos os produtos certificados. "As pesquisas indicam uma predisposição do consumidor para comprar produtos verdes, mas como poucas empresas usam certificados e falta informação, a compra efetiva não acontece, o que complica a prática do consumo consciente", explica Paula Faria, Sócio-Diretor da Sator, agência idealizadora do Unomarketing.
Apesar do estudo realizado pelo jornalista Ricardo Voltolini e pelo especialista em mapeamento Luiz Bouabci apontar a existência de mais de 400 selos, na prática, esse número chega a 600. São certificações preocupadas com a questão sócio-ambiental e com o aspecto econômico. Mas há também uma parcela de selos que não é considerada fonte segura.
Como o excesso de símbolos e informações pode acabar sendo mais confuso do que esclarecedor, a International Organization for Standadization criou a ISO 14001, uma certificação voltada para a gestão ambiental nas empresas, com uma série de normas específicas para garantir a credibilidade dos selos.
Mercado movimentou US$ 5 bi em 2008
Em 2008, o mercado de certificações movimentou US$ 5 bilhões, segundo o autor do livro "Branded! – How to Certification is Transforming Global Corporations" (ainda sem tradução para o português). Há 15 anos, não passava de US$ 1 milhão. Em 12 anos, mais de 300 milhões de hectares de terra receberão certificação, o correspondente a 15% das áreas de manejo florestal do mundo.
De acordo com o estudo da Market Analysis, 56% dos consumidores da América do Norte, 54% da Oceania, 29% da Europa, 24% da América Central e da Ásia e 11% da América do Sul afirmam preferir produtos sociambientalmente responsáveis. Os primeiros rótulos obrigatórios surgiram na Europa, nos anos 1940, para destacar a presença de substâncias químicas potencialmente danosas à saúde do consumidor.
Mas foi no final dos anos 1970, com o início do movimento ambientalista, que começaram a nascer os primeiros selos verdes. Em 1977, a Alemanha criou o Blue Angel, ainda hoje garantido pelo Ministério do Meio Ambiente do país. O selo certificou e atestou 3,6 mil produtos, segundo critérios como reciclagem e baixa toxicidade. Em 1988, o Canadá instituiu o seu Eco-logo e, em 1989, o Japão implantou o Ecomark. Também em 1989, osEstados Unidos apresentaram o Green Seal e, desde 1992, a União Europeia mantém o Ecolabel.
Natura é exemplo no Brasil
No Brasil, há 17 anos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) mantém um programa de certificação ambiental, mas que ainda não teve nenhum selo certificado. Nos últimos meses, o projeto foi retomado e tem sido reformulado para atender a demanda. Segundo a associação, entre os segmentos com contrato já assinado para o processo de certificação destacam-se os de cosmético, têxtil, siderúrgico, pneus reformados, gráficas, divisórias, pisos e tetos e até o de fabricação de fraldas.
Por aqui, a Natura é a empresa de maior destaque quando o assunto é transparência com o consumidor. "A Natura trabalha em todos os pontos: informações no rótulo, certificações e estudo da pegada carbônica. Talvez ela seja a empresa brasileira que mais se aproxima do padrão ideal", aponta a idealizadora do Unomarketing.
A Goóc é outra marca que também tem o cuidado de orientar e promover o consumo consciente. Com a sustentabilidade em sua essência, já que fabrica sandálias 80% à base de pneus reciclados, a marca busca destacar o cuidado com o ambiente nas embalagens. Nas caixas, os clientes encontram informações sobre o processo de produção e reutilização de materiais.
"Temos o Cadre (Certificado de Arrecadação de Resíduos), que não é estampado nas embalagens, mas é exigido na hora da retirada de resíduos de fábricas de pneus, como Michelin e Pirelli", conta Wanderley Moreno Tracastro, CEO da Goóc.
Informações devem integrar todos os canais
Como o espaço da embalagem não é suficiente para inserir todas as informações a respeito da empresa, a Goóc criou um informativo para os consumidores que vai dentro das caixas dos calçados. Já a Do Bem disponibiliza em seu site informações sobre o estudo da Pegada Carbônica, informando o consumidor sobre a quantidade de CO² emitida desde o processo de produção até a distribuição.
"Usamos a embalagem não só para colocar o suco, mas também para interagir com o consumidor. Quando terminamos o estudo da Pegada Carbônica, no ano passado, resolvemos colocar não só no site, como também na caixinha, explicando que o material completo está disponível na internet. Tentamos integrar todos os meios de comunicação e todo espaço que temos para divulgar a mensagem de que é possível produzir produtos mais naturais",  relata Marcos Leta, CEO da Do Bem.
No momento, a Do Bem estuda a divulgação do selo Kosher em suas embalagens, conquistado no ano passado e dado pela comunidade judaica para "alimentos tratados/preparados segundo preceitos da religião judaica". Esse critérios referem-se não só ao tipo da comida, como também à maneira de preparo e à combinação entre os alimentos de uma refeição. Para isso, um rabino acompanhou a produção dos sucos da marca e constatou que não era acrescentado nenhum componente químico aos produtos.
Consumidor e indústria em prol da sustentabilidade
A iniciativa de empresas como a Do Bem ajudam a amadurecer o mercado brasileiro de certificações. Pesquisas indicam que o consumidor brasileiro não tem o hábito de ler rótulos, por isso a importância dos símbolos. "As pessoas se atraem por ícones. Investir em imagens que representam questões sócio-ambientais é o melhor caminho para se pensar em rótulos", acredita Paula.
Cabe às empresas apostarem em comunicação forte para começar a criar informações e utilizá-las nos rótulos de forma eficiente. É papel também dos consumidores valorizar os selos e rótulos verdes e reconhecer a importância do consumo consciente como instrumento para produzir mudanças no modo como as empresas encaram os aspectos socioambientais em seus processos e produtos. Uma iniciativa de destaque mundial neste sentido é o site Ecolabelling.org, uma espécie de termômetro sobre o que é bem avaliado e que explica os critérios de seleção para os selos verdes.
"O consumidor está um pouco mais atento aos rótulos. Antes, ele só olhava a frente da embalagem. Agora, com as campanhas das próprias empresas e a circulação de informações sobre saúde e bem-estar, o brasileiro está 'virando para os lados' e conhecendo as informações nutricionais. Gostaria que houvesse um movimento não só por parte dos consumidores, mas também das pessoas que estão inseridas nas indústrias, querendo mostrar para o consumidor o que realmente tem naquele produto", aponta Leta, da Do Bem.

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Sylvia de Sá,  02/07/2010 | 14:56

29 de jun. de 2010

Um projeto inovador em energia na cidade de São Carlos.

Cidade da Energia se torna realidade no interior de SP

Nesta terça-feira (29), o governo federal liberou R$19,7 mi para obras de infraestrutura do complexo

Vanessa Barbosa | 29/06/2010 | 19:35


Projeto da Cidade Energia: complexo, em São Carlos (SP), pretende centralizar iniciativas e pesquisas de desenvolvimento em energia renovável de todo o Brasil.

São Paulo - No interior do estado de São Paulo, a duzentos e quarenta quilômetros da capital, uma  pacata cidade pretende centralizar todas as pesquisas sobre energia renovável em andamento no país. Sonho alto? Não mesmo. Nesta terça (29), o governo federal liberou 19,7 milhões de reais para a construção da primeira etapa do projeto Cidade da Energia, que será instalada no município de São Carlos.

A idéia é construir um pólo para coordenação de pesquisas e informações científicas, tecnológicas e comerciais relacionadas a energias limpas e renováveis. Além disso, o complexo deverá orquestrar parcerias entre o setor privado, universidades e centros de pesquisa globais, para a geração de negócios no segmento de energia renovável.

Elaborado há dois anos pela prefeitura local, em parceria com a Abimaqui (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos a Cidade da Energia) e o governo federal, o projeto da Cidade Energia deverá receber, até 2011, 87 milhões de reais em investimentos das partes envolvidas.

"A Cidade da Energia é um projeto que não se restringe ao desenvolvimento local na produção de energia renovável. É um projeto de desenvolvimento do país", afirmou o prefeito de São Carlos, Oswaldo Barba, durante a oficialização do investimento, que contou com a presença do ministro do Turismo Luiz Barretto.

Para a primeira etapa do Cidade Energia, estão previstas uma série de obras de infraestrutura, que vão desde a duplicação de 7 km da rodovia Guilherme Scatena, acesso ao futuro empreendimento, a investimentos em esgoto e saneamento.