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4 de ago. de 2010

A Europa já está nos vendo com outros olhos.

Alemanha anuncia novas diretrizes para Anérica Latina

Berlim - O gabinete ministerial alemão aprovou hoje um novo pacote de diretrizes para as relações deste país com os estados da América Latina e do Caribe diante da crescente importância política e econômica de algumas nações como o Brasil e o México.

Após ressaltar que a América Latina compartilha com a Europa e a Alemanha valores comuns, o chefe da diplomacia alemã assegurou que as relações deste país com essas nações "têm para mim uma importância pessoal".

"Trata-se de uma região mundial que é subvalorizada na Europa", apesar de contar com um dos mercados de crescimento mais dinâmicos, disse Westerwelle em entrevista coletiva. Para ele, a indústria alemã deve aproveitar ali "suas possibilidades ao máximo".

Ele ressaltou que o novo conceito da Alemanha para a América Latina afeta todos os ministérios e não se centra exclusivamente nos aspectos econômicos, mas atende à crescente importância estratégica da região.

A nova perpectiva da política alemã para a América Latina substitui a elaborada há 15 anos e pretende aprofundar as relações da Alemanha com os países em todos os campos, desde o político e econômico, ao social e cultural.

O documento de 96 páginas ressalta que a Alemanha deve "se esforçar ativamente" para manter e aumentar as estreitas relações com diferentes países latino-americanos.

Segundo o texto, para a economia e indústria alemãs, a América Latina não só é uma importante base de produção das empresas germânicas, mas um "mercado de contínuo crescimento" para a venda de seus produtos.

O novo conceito destaca como metas importantes da Alemanha na América Latina uma participação mais ativa na proteção ao meio ambiente, à pesquisa e à educação, assim como ao fomento da democracia e ao estado de direito.

A aprovação das novas diretrizes da política alemã em direção à América Latina pelo conselho de ministros ocorreu sob a Presidência do vice-chanceler e titular de Exteriores, Guido Westerwelle, isso porque a chanceler federal, Angela Merkel, está de férias.

O documento lembra que a "América Latina e o Caribe se mantêm, ao contrário que outras regiões do planeta, como uma zona de paz", a primeira do mundo livre de armas nucleares após a assinatura do tratado de Tlateloco.

"O Governo federal considera prioritário fazer sua contribuição para a consolidação das democracias representativas e a estabilização das economias na América Latina e na região do Caribe, também para que possa ser desenvolvido plenamente o potencial das relações (com esses países)", assinala.

Acrescenta que "para a realização de metas políticas de importância mundial como a criação e manutenção da paz, a imposição dos direitos humanos e o direito internacional, e também à proteção ao meio ambiente e aos recursos, assim como uma ordem comercial justa em nível mundial e a reforma das Nações Unidas temos 33 Governos parceiros na América Latina e no Caribe.

O documento destaca igualmente o apoio da Alemanha aos processos regionais de integração de organizações como Mercosul, Comunidade Andina de Nações (CAN), Sistema de Integração Centro-Americana (Sica) e Comunidade do Caribe (Caricom), assim a crescente cooperação entre os países latino-americanos com a União Europeia.

04/08/2010 | 08h49



31 de jul. de 2010

Redução de obstáculos e até mesmo da concessão de um prêmio.

Alemanha quer atrair profissionais qualificados do exterior

O ministro alemão da Economia, Rainer Brüderle, quer lançar uma campanha para atrair ao país profissionais altamente qualificados. Ele se disse a favor da redução de obstáculos e até mesmo da concessão de um prêmio.

Brüderle quer lançar campanha para atrair estrangeiros especializados
O ministro alemão da Economia, Rainer Brüderle, quer lançar uma campanha para atrair à Alemanha profissionais estrangeiros altamente qualificados. Ele se disse a favor até mesmo da criação de um prêmio em dinheiro para atrair ao país trabalhadores estrangeiros especializados.
Esse prêmio, segundo ele, poderia ser oferecido por empresas que procuram trabalhadores com urgência, afirmou o ministro em entrevista ao jornal alemão especializado em economia Handelsblatt.
Brüderle anunciou o lançamento nos próximos meses de uma campanha para atrair mão de obra estrangeira especializada. "Acho importante que seja desenvolvida uma estratégia geral, através da qual profissionais estrangeiros qualificados possam vir para a Alemanha". Ele pretende convidar representantes de todos os setores da economia e pesquisadores para participarem da campanha.


Ganho anual de 64 mil euros para receber visto

O político, entretanto, descartou que o governo venha a subvencionar o prêmio para atrair profissionais estrangeiros altamente qualificados com o dinheiro arrecadado em impostos. Ele também acha possível reduzir o salário mínimo exigido pela legislação para que as empresas do país empreguem mão de obra do exterior.

Atualmente, profissionais estrangeiros têm que comprovar um contrato de trabalho com uma renda anual de pelo menos 64 mil euros para assegurar a concessão de permissão de trabalho e permanência na Alemanha.
O ministro alemão da Economia acha que faltam profissionais no país. "É a falta de profissionais especializados que vai se tornar um problema importante do mercado de trabalho alemão nos próximos anos, não o problema do desemprego", afirmou. "Diante dos atuais três milhões de desempregados, o problema ainda não é visível. Entretanto, quanto mais a economia cresce, maior esse problema vai se tornando."
Alemanha 2
No início da atual gestão, os partidos da coalizão alemã de governo se comprometeram a modificar as regras de acesso ao mercado de trabalho para estrangeiros. "O acesso de estrangeiros altamente qualificados e profissionais ao mercado de trabalho deve ser sistematicamente ajustado às necessidades do mercado de trabalho alemão", diz um dos trechos do contrato de coalizão entre democrata-cristãos e liberais.

A ideia surge pouco antes do aniversário de 10 anos da introdução do programa  green card no país. Em 1° de agosto de 2000, o primeiro estrangeiro especialista em informática ganhou uma permissão de trabalho na Alemanha com o chamado green card.
O programa foi criado pelo governo alemão para  suprir a falta de especialistas em informática no mercado nacional. Até hoje foram atraídos à Alemanha 33 mil especialistas em computador. O governo tinha expectativa de atrair um número muito maior de profissionais.


Sindicato prefere especializar trabalhadores do país

A Bitkom (sigla em alemão para Federação para Economia da Informação, Telecomunicação e Novas Mídias) elogiou a iniciativa para simplificação da imigração de especialistas estrangeiros.
"As leis existentes são ainda muito restritivas para a entrada de profissionais altamente qualificados", declarou o presidente da entidade August Wilhelm Scheer.

"A diminuição da renda mínima é um passo importante", complementou. Segundo ele, também é importante que o cônjuge automaticamente receba uma permissão de permanência e de trabalho na Alemanha.

O sindicado IG Metall, entretanto, rejeitou a ideia de Brüderle. "Se o setor econômico quer que haja um potencial de mão de obra especializada na Alemanha, deveria, então, oferecer treinamentos de especialização para seus empregados", disse o especialista em educação da entidade, Klaus Heimann.

Ele lembrou ainda que isso se aplica principalmente a jovens de menos de 30 anos, entre os quais, segundo ele, há muitos desempregados.

Roselaine Wandscheer / 31/07/2010