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8 de out. de 2010

Tecnologia de via única. Chineses podem ser ameaça

Embraer decide fechar fábrica na China

Empresa decidiu que seria difícil se manter no país a partir do ano que vem, quando os chineses começarão a fabricar seus próprios aviões

São José dos Campos, SP - A Embraer optou pelo fechamento da sua fábrica na China devido aos planos chineses de produzir seus próprios aviões. "Os chineses vão começar sua produção própria em 2011 e nos veem como concorrentes", disse Paulo Cesar de Souza e Silva, vice-presidente executivo para o mercado de aviação comercial da Embraer.

A empresa tem uma fábrica na China em associação com a Aviation Industries of China (Avic), para a fabricação do ERJ-145, de 50 lugares. A ideia da Embraer seria ter a autorização para construir um avião maior, de capacidade para 120 passageiros. Porém, a China está desenvolvendo aviões próprios. Segundo Silva, a última entrega de um ERJ-145 será feita em março.

O executivo afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta para o governo chinês sobre o assunto, mas não obteve resposta. "Não temos perspectivas de continuar a produção", disse.

Perspectiva

A Embraer prevê que o mercado de aviação deve voltar aos níveis pré-crise a partir do final do ano que vem. Até então, a empresa prevê estabilidade em relação aos resultados de 2010. "Esperamos um resultado parecido com o do ano atual", disse Silva. Segundo ele, o mercado está melhorando gradualmente, com melhores resultados na América Latina, Ásia e Oriente Médio, mas Estados Unidos e Europa continuam fracos.

Para este ano, a companhia prevê vendas de 90 a 95 aviões, ainda 30% abaixo do nível pré-crise. Em 2009, as vendas foram "praticamente zero", segundo ele. As entregas devem somar 100 aeronaves em 2010, enquanto em 2009 foram entregues 120 aviões.

O executivo destacou que, no Brasil, um fator negativo neste momento é o real apreciado, que gera um desequilíbrio entre os custos da empresa (em reais) e sua receita (que é 92% em dólares). Hoje a empresa promoveu um evento em conjunto com a Azul para apresentar uma parceria contra o câncer de mama, em São José dos Campos (SP).

Natalia Gómez | 07/10/2010 | 15h27

17 de ago. de 2010

111,4 milhões de celulares

Vendas mundiais de celular crescem 13,8%

No segundo trimestre deste ano, foram vendidos 325,6 milhões de aparelhos, dos quais 19% são smartphones

As vendas de terminais continuam em expansão no mundo: 325,6 milhões de aparelhos vendidos em três meses, num acréscimo de 13,8% em relação ao mesmo período do ano passado (286,1 milhões). Os smartphones também seguem em crescimento acelerado. Do total de handsets vendidos, 19% foram de telefones inteligentes, o que significa um crescimento de 50% desse segmento em relação ao mesmo período de 2009.

O ranking dos dez maiores fabricantes de aparelhos mudou de configuração: a Nokia continua como líder de vendas - foram 111,4 milhões de celulares, com 34,2% de market share (36,8% em 2009). Mas perderam participação a LG, que ficou com 9% de market share (10,7% no ano passado), a Sony Ericsson, com 3,4% de participação (4,7% em 2009), e a Motorola, com 2,8% (5,6% em 2009). Em contraste, cresceram a RIM/BlackBerry, com 3,4% de mercado (2,7% em 2009), a Apple/iPhone, com 2,7% (1,9% no ano passado), a HTC, que dobrou de participação, para 1,8% (0,9% no ano passado), a ZTE, que passou de 1,3% para 1,7% e o aparecimento da chinesa G´Five, que conquistou 1,6% do mercado mundial.

A Apple vendeu 8,7 milhões de aparelhos, o que corresponde a um market share de 14,2% no segmento dos smartphones. A marca está na sétima posição mundial na venda de celulares e é a terceira empresa na venda global de smartphones. Quanto aos sistemas operacionais dos telefones inteligentes, o Android ultrapassou o iOS, do iPhone. A venda total de smartphones chegou a 61,6 milhões de unidades e os sistemas operacionais mais usados são o Symbian (Nokia e Samsung), com 41% de market share, o RIM (BlackBerry), com 18,2%, o Android, com 17,2% e o iOs (iPhone), com 14,2%.

Sérgio Damasceno | 16/08/2010 | 14h28

12 de ago. de 2010

Novas regras são protecionistas e proíbem o uso de carne salgada de frango nas preparações.

Exportadores de frango pedem abertura de ação contra União Europeia na OMC

Brasília - A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) entregou hoje (12) ao Ministério de Relações Exteriores (MRE) documento em que pede a abertura de uma ação na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra a nova legislação da União Europeia para carne fresca e suas preparações. Segundo o presidente da Ubabef, Francisco Turra, as novas regras, em vigor em maio deste ano, são protecionistas e proíbem o uso de carne salgada de frango nas preparações, impedindo que o produto importado congelado seja reprocessado e congelado novamente.

Turra explicou que as medidas são uma barreira à exportação das cerca de 200 mil toneladas de carne de frango brasileira embarcadas anualmente para a Europa, o representa cerca de US$ 450 milhões, já que todo esse volume é congelado. Segundo ele, o chefe do Departamento Econômico do MRE, ministro Carlos Rosendey, prometeu analisar o pedido rapidamente, com a possibilidade de ser encaminhado para a reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex) da próxima semana.

“Não há impedimento de ordem política de entrar com esse painel [ação] na OMC [contra a União Europeia]”, afirmou Turra. Ele disse que o documento entregue ao MRE apresenta um estudo técnico mostrando que a nova legislação da União Europeia privilegia a compra do frango produzido no bloco, violando algumas regras da OMC. Assim, outros países, como o Brasil, principal fornecedor de carne de frango para o bloco, são prejudicados.

A Ubabef informou que em nenhum órgão internacional foi detectado algum problema relacionado à saúde causado pela ingestão de carne de frango que passou pelo processo proibido na Europa. Além da mudança que na legislação, os exportadores brasileiros se dizem preocupados com a elevação das tarifas de importação de oito tipos de cortes de frango pela União Europeia.

Danilo Macedo | 12/08/2010 | 18h52


4 de ago. de 2010

A Europa já está nos vendo com outros olhos.

Alemanha anuncia novas diretrizes para Anérica Latina

Berlim - O gabinete ministerial alemão aprovou hoje um novo pacote de diretrizes para as relações deste país com os estados da América Latina e do Caribe diante da crescente importância política e econômica de algumas nações como o Brasil e o México.

Após ressaltar que a América Latina compartilha com a Europa e a Alemanha valores comuns, o chefe da diplomacia alemã assegurou que as relações deste país com essas nações "têm para mim uma importância pessoal".

"Trata-se de uma região mundial que é subvalorizada na Europa", apesar de contar com um dos mercados de crescimento mais dinâmicos, disse Westerwelle em entrevista coletiva. Para ele, a indústria alemã deve aproveitar ali "suas possibilidades ao máximo".

Ele ressaltou que o novo conceito da Alemanha para a América Latina afeta todos os ministérios e não se centra exclusivamente nos aspectos econômicos, mas atende à crescente importância estratégica da região.

A nova perpectiva da política alemã para a América Latina substitui a elaborada há 15 anos e pretende aprofundar as relações da Alemanha com os países em todos os campos, desde o político e econômico, ao social e cultural.

O documento de 96 páginas ressalta que a Alemanha deve "se esforçar ativamente" para manter e aumentar as estreitas relações com diferentes países latino-americanos.

Segundo o texto, para a economia e indústria alemãs, a América Latina não só é uma importante base de produção das empresas germânicas, mas um "mercado de contínuo crescimento" para a venda de seus produtos.

O novo conceito destaca como metas importantes da Alemanha na América Latina uma participação mais ativa na proteção ao meio ambiente, à pesquisa e à educação, assim como ao fomento da democracia e ao estado de direito.

A aprovação das novas diretrizes da política alemã em direção à América Latina pelo conselho de ministros ocorreu sob a Presidência do vice-chanceler e titular de Exteriores, Guido Westerwelle, isso porque a chanceler federal, Angela Merkel, está de férias.

O documento lembra que a "América Latina e o Caribe se mantêm, ao contrário que outras regiões do planeta, como uma zona de paz", a primeira do mundo livre de armas nucleares após a assinatura do tratado de Tlateloco.

"O Governo federal considera prioritário fazer sua contribuição para a consolidação das democracias representativas e a estabilização das economias na América Latina e na região do Caribe, também para que possa ser desenvolvido plenamente o potencial das relações (com esses países)", assinala.

Acrescenta que "para a realização de metas políticas de importância mundial como a criação e manutenção da paz, a imposição dos direitos humanos e o direito internacional, e também à proteção ao meio ambiente e aos recursos, assim como uma ordem comercial justa em nível mundial e a reforma das Nações Unidas temos 33 Governos parceiros na América Latina e no Caribe.

O documento destaca igualmente o apoio da Alemanha aos processos regionais de integração de organizações como Mercosul, Comunidade Andina de Nações (CAN), Sistema de Integração Centro-Americana (Sica) e Comunidade do Caribe (Caricom), assim a crescente cooperação entre os países latino-americanos com a União Europeia.

04/08/2010 | 08h49



A estratégia é garantir o fornecimento de alimentos à nação africana.

Egito prevê triplicar comércio com Mercosul após novo tratado


Buenos Aires - O intercâmbio comercial entre Egito e os membros do bloco econômico sul-americano Mercosul deve triplicar nos próximos anos como parte de uma estratégia para garantir o fornecimento de alimentos à nação africana, disse nesta terça-feira o ministro do Comércio daquele país.

"Temos 2,5 bilhões de dólares de comércio entre o Egito e o Mercosul, com o tratado de livre comércio podemos duplicar ou triplicar esse número facilmente nos próximos anos", disse o ministro Rachid Mohamed Rachid em entrevista à Reuters.

O acordo entre Egito e Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, foi assinado na véspera na província argentina de San Juan, onde o bloco regional realizou nesta terça-feira sua cúpula semestral de presidentes.

Eduardo García | 03/08/2010 | 23h40

2 de ago. de 2010

Parece que a crise já passou. Parece!!

Principais destinos de exportação ainda se recuperam, diz Barral

O secretário de Comércio Exterior do
Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
Welber Barral
Os principais mercados de exportação do Brasil ainda estão em recuperação, de acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Welber Barral.

Segundo ele, os Estados Unidos ainda não voltaram aos níveis de 2008 e a Europa está estabilizada. Barral também disse que a corrente de comércio do Brasil já voltou aos níveis pré- crise.

O secretário comentou ainda que a importação mostra que a demanda por bens de capital no Brasil "está aquecida."

A importação de bens de capital subiu 61,4% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o secretário.

Arnaldo Galvão/Bloomberg News | 02/08/10 | 17h08

29 de jul. de 2010

Serão utilizadas como matéria-prima para produção de bens de capital sob encomenda para as indústrias petroquímicas

Governo brasileiro reduz imposto de importação de aço

SÃO PAULO (Reuters) - O governo brasileiro reduziu de 12 para 2 por cento, por um período de seis meses, a alíquota de importação de dois tipos de chapas de aço "por razões de desabastecimento temporário".

Segundo nota à imprensa da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as chapas de aço "serão utilizadas como matéria-prima para produção de bens de capital sob encomenda para as indústrias petroquímicas".

"A exigência dos requisitos técnicos específicos deve-se às necessidades especiais de resistência do material e sua composição química. Embora exista capacidade técnica instalada no Brasil para fabricação de chapas, não há no momento produção com os requisitos exigidos", acrescentou a Camex.

Os produtos que tiveram o imposto de importação reduzido são chapa de aço carbono e chapa cladeada laminada composta, com uma série de requisitos específicos de produção.

29//072010 | 19h48



22 de jul. de 2010

O consumo de eletrodomésticos brasileiros e chineses "aumentou de 69% para 81%" nos últimos anos na argentina

Argentina freia vendas de Brasil e China





Buenos Aires - Argentina aplicou hoje impostos especiais à importação de processadores de alimentos fabricados no Brasil e China por "dumping" (comércio desleal) que causou "dano à indústria nacional".


O consumo de eletrodomésticos brasileiros e chineses "aumentou de 69% para 81%" nos últimos anos na argentina, assinalou o ministério argentino.
Também dispôs direitos (impostos) especiais ao ingresso de tecidos de poliéster para cortinas procedentes da China cuja parcela no mercado passou de 0,2% para 31% da indústria argentina, que, além disso, sofreu "uma queda na rentabilidade", apontou.
A resolução, que entrou em vigor ao ser publicado no Diário Oficial, assinala que foram investigados tecidos de poliéster para cortinas originais do Brasil aos que "não se aplicaram medidas por não terem achado 'dumping' nem dano à indústria nacional".

22/07/2010 | 14:47 

21 de jul. de 2010

37% dos produtos brasileiros exportados para a Ucrânia são Catarinenses.

SC assina protocolo sobre portos e turismo com a Ucrânia

Comitiva de SC após a reunião com a vice-governadora de Odessa.
 Foto Carlos Mello/Secom

Nesta quarta-feira, último dia de visita da missão catarinense à Ucrânia, no Leste Europeu, o governador Leonel Pavan firmou protocolo de cooperação econômica, portuária e turística com a Província de Odessa, no Sul do país.

Dos produtos brasileiros exportados para a Ucrânia, 37% são de Santa Catarina. “Por isso, o Estado tem papel estratégico no processo de ampliação e fortalecimento das relações comerciais com este país, em parceria com a iniciativa privada”, pontuou Leonel Pavan.

A comitiva catarinense foi recebida pela vice-governadora de Odessa, Liudmila Varrava. Ela, que também é responsável pela política de investimentos nacionais e internacionais, considera que há boas oportunidades de cooperação, não só na área econômica e portuária, mas também no setor turístico pelas afinidades culturais entre Santa Catarina e a Ucrânia. “Somos uma região pequena, mas com grande movimentação econômica e de turismo de praia nos meses de verão”, observou.

O secretário de Planejamento e de Articulação Internacional, Vinicius Lummertz Silva, informou que uma nova missão empresarial da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) deve visitar a Ucrânia, entre setembro e outubro, para discutir investimentos nos setores de agronegócio, siderurgia e equipamentos para a produção de energia elétrica. Antes, no dias 26 e 27 de agosto, empresários brasileiros, catarinenses e ucranianos estarão reunidos em Brasília para participar da 4ª Reunião da Comissão Intergovernamental de Comércio entre os dois países.

A partir desta quinta-feira, 22, missão catarinense estará na República Tcheca, onde participará de audiências no Ministério da Agricultura e na Câmara de Comércio e Indústria, na Capital, Praga.

21/07/2010 | 16h27


19 de jul. de 2010

Santa Catarina não é mais o maior exportador de aves do Brasil. Nosso vizinho ganhou um round.

Receita de exportações de frango cresce, mas volume fica estável

As receitas das exportações de carne de frango, no acumulado de janeiro a junho, atingiram US$ 3,11 bilhões, com alta de 15% em relação ao mesmo período de 2009.

Apesar o aumento na receita, os embarques ficaram em 1,8 milhões de toneladas, com recuo de 0,12%. No comparativo com o semestre anterior, a alta da receita foi pequena, de 0,51%. O volume caiu 1,21% nessa comparação.

"Apesar de o cenário para o exportador apresentar leves melhoras em ganhos de receita, ainda está aquém das expectativas do setor avícola. Isso ocorre devido a uma política cambial pouco favorável ao comércio internacional do frango brasileiro", afirmou em nota o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra.

Regiões

Os maiores embarques foram para o Oriente médio, com total de 661,5 mil toneladas, valor 0,5% maior que o verificado no ano passado.

Para a Ásia, os embarques cresceram 2,6%, atingindo as 493,2 mil toneladas, e receita de US$ 916 milhões, com alta de 23,5%.

O volume exportado para a União Europeia foi de 206,1 mil toneladas, com queda de 19,2% em relação ao ano passado. A receita teve queda de 7,8%, para US$ 520 milhões.

A África recebeu volume de embarques superior à UE, com 226,7 mil toneladas, crescimento de 8,4%. A receita com o continente foi de US$ 262,1 milhões, com alta de 28,1%.

Estados

O Paraná foi o maior exportador do semestre em volume, com embarque de 477,3 mil toneladas. O aumento na comparação com 2009 foi de 0,71%. Em segundo, ficou Santa Catarina, com embarques de 476,1 mil toneladas, queda de 5,33%.

O estado de São Paulo teve queda de 13% nos volumes exportados, com 119,9 mil toneladas, mas alta de 3% na receita, para US$ 199,6 milhões.

Felipe Peroni | 19/07/10 | 13h01



18 de jul. de 2010

Santa Catarina e Pernambuco não cobram o ICMS nos portos.

Estados cortam imposto de importados e prejudicam indústria nacional

Seis Estados fazem guerra fiscal abatendo ICMS de produtos importados, afetando a receita das regiões mais industrializadas

Pelo menos seis Estados brasileiros ? Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná, Pernambuco, Goiás e Alagoas ? estão oferecendo benefícios fiscais que incentivam as importações. O objetivo é elevar a arrecadação e desenvolver os portos locais. Mas, na prática, funciona como subsídio ao produto importado, prejudicando a indústria nacional.

A prática não é nova, mas se disseminou pelo País por causa do crescimento do comércio exterior. As importações batem recorde este ano, tornando esse tipo de benefício a principal modalidade de "guerra fiscal" e provocando perdas de arrecadação significativas para Estados com grandes parques produtivos como São Paulo e Minas Gerais.

Os dados de importação são uma prova do magnetismo dos benefícios fiscais para as empresas. No primeiro semestre deste ano, as importações de Santa Catarina, Pernambuco e Goiás cresceram cerca de 70% em relação a janeiro a junho de 2009 ? muito acima da média do País, de 45%, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento.

Tarifas. O mecanismo de funcionamento da maioria dos programas é parecido. No passado, um importador de aço, por exemplo, desembaraçaria o produto pelo porto de Santos, pagando 18% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias), e venderia para as empresas instaladas em São Paulo.

Hoje o importador pode trazer o produto pelo porto de Itajaí (SC) ou de Suape (PE). Santa Catarina e Pernambuco não cobram o ICMS nos portos, mas só quando o produto cruza a fronteira para outro Estado e, na prática, a tarifa é bem mais baixa: 3% e 5%, respectivamente. Os fiscos estaduais ganham porque, caso contrário, não teriam essa arrecadação. O importador gasta mais com logística, mas embolsa a diferença entre as tarifas.

Por causa do sistema de compensação entre Estados, São Paulo é obrigado a dar um crédito, que pode ser usado no pagamento de outros impostos, de 12% do valor do produto. É uma maneira de evitar a cobrança do ICMS em cascata. O problema é que só 3% do imposto foi pago ? o restante (9%) fica de "brinde". A indústria também perde, porque o produto importado ganha competitividade e pode ser vendido por um preço mais baixo.

"É um corredor de importação dentro do País. Expandimos a guerra fiscal para além das nossas fronteiras", disse Carlos Martins, secretário da Fazenda da Bahia e coordenador do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários de Fazenda estaduais. Segundo ele, o crescimento desses benefícios foi "avassalador" nos últimos cinco anos.

Para o sócio diretor da CP Associados e ex-coordenador tributário da Fazenda de São Paulo, Clóvis Panzarini, fazer guerra fiscal comos incentivos à importação é uma "maluquice". "Estamos subsidiando a produção do exterior e gerando empregos em outros países, como a China."

Os programas de Santa Catarina e de Pernambuco têm uma exceção curiosa: estão excluídos dos benefícios fiscais à importação produtos que possuam similares produzidos no território estadual. O objetivo é evitar a desindustrialização ? mas apenas dentro do Estado.

Perdedores. Insumos produzidos no País, como tecidos, cobre, aço e químicos, estão entre os produtos mais prejudicados pela nova guerra fiscal. O presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, disse que os benefícios "potencializam a atratividade" das importações, que já estão crescendo muito por causa da valorização do real e do excesso de oferta mundial. De janeiro a junho, as importações brasileiras de aço atingiram 2,7 milhões de toneladas, alta de 148%.

De acordo com o vice-presidente de relações institucionais da petroquímica Braskem, Marcelo Lyra, metade das resinas termoplásticas importadas chega ao País por portos que concedem algum tipo de benefício fiscal. No ano passado, foram importadas 450 mil toneladas de resinas nessa situação. Se o ritmo de crescimento dos últimos anos for mantido, serão 1 milhão de toneladas em 2013.

Instalada em Camaçari (BA), a Caraíba Metais, que pertence ao grupo Paranapanema, perdeu uma fatia importante do seu mercado para as tradings que trazem cobre importado por Itajaí. "Tivemos de conceder mais benefícios fiscais para a empresa voltar a ser competitiva", disse o secretário da Fazenda da Bahia. Procurada, a Paranapanema não retornou as ligações.

Em contrapartida, surgiu em Santa Catarina um pólo laminador de cobre, com mais de 10 empresas, que utilizam a matéria-prima importada que chega pelos portos catarinenses.

"A guerra fiscal existe e o Estado que não se antecipar vai ficar para trás", disse o secretário da Fazenda de Santa Catarina, Cleverson Siewert.

Raquel Landim | 18/7/2010 | 0h 00



16 de jul. de 2010

A China tem apostado em capacitação profissional e na melhoria da qualidade dos produtos.

Produtos brasileiros continuam a perder mercado para a China, afirma CNI


Brasília O Brasil precisa ampliar a desoneração das vendas externas, reduzir os custos de transporte e baratear o crédito para o comércio exterior para fazer frente ao crescimento das exportações da China. Esse posicionamento consta de relatório divulgado hoje (15) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a entidade, os produtos brasileiros continuam a perder mercado para os chineses.

A participação da China nas importações brasileiras continua a crescer. No primeiro trimestre deste ano, as mercadorias chinesas correspondiam a 13,71% do que o Brasil comprava no exterior, contra 2,19% há dez anos. A participação chinesa das importações do Brasil só perde para os Estados Unidos, cuja fatia é de 14,8%.

De acordo com a economista Sandra Rios, consultora da CNI, a melhoria da competitividade dos produtos chineses não se deve apenas à desvalorização do yuan, a moeda da China, nem aos subsídios aplicados pelo governo comunista. Ela destaca que o país tem apostado em capacitação profissional e na melhoria da qualidade dos produtos.

“A China tem feito investimentos significativos em educação e na melhoria dos produtos. Aliado à política cambial, aos subsídios para a produção e à oferta de crédito a juros nulos, a China reúne qualidades que outros países não têm condições de adotar”, diz a consultora.

Segundo a economista, o aumento das exportações de bens de capital da China, nos últimos anos, é a prova da melhoria da qualidade dos produtos do país asiático. “A imagem de que a China só vende camisetas, sapatos e confecções de baixa qualidade é coisa do passado”, ressalta. Atualmente, os eletrodomésticos (32%) e os bens de capital (21%) respondem pela maior parte das exportações chinesas.

Para Sandra, o Brasil tem de agir internamente para melhorar a competitividade das exportações e também investir na agenda internacional. “Na frente internacional, o Brasil deve insistir para que a China reduza os subsídios domésticos e permita que o câmbio volte a níveis mais realistas”, sugere.

Desde o ano passado, a China superou os Estados Unidos e virou o principal destino das mercadorias brasileiras. Apesar de o país ser grande consumidor de produtos primários do Brasil, a economista afirma que o cenário é preocupante. “O crescimento das exportações tem sido puxado pela demanda de produtos primários pelos asiáticos. Isso não é negativo, mas o problema é que Brasil tem tido dificuldades de manter o mercado de produtos industrializados”, acrescenta.

Edição: Lana Cristina

Wellton Máximo | 19:43 | 15/07/2010



3 de jul. de 2010

A Gerdau comprou a Ameristeel e a Marfrig levou a Keyston: a retomada da internacionalização das empresas brasileiras.

Aquisições brasileiras no exterior superam compras de múltis no Brasil

De janeiro a maio, as companhias nacionais investiram US$ 11,16 bilhões, enquanto os estrangeiros trouxeram US$ 10,68 bilhões para o País

Raquel Landim | 3/7/2010 - 16h


SÃO PAULO - Na semana passada, a siderúrgica Gerdau comprou as ações que ainda não detinha na Ameristeel por US$ 1,6 bilhão. Quinze dias atrás, o frigorífico Marfrig levou a Keystone por US$ 1,26 bilhão. Esses são os dois lances mais recentes da retomada da internacionalização das empresas brasileiras. As multinacionais verde-amarelas estão aproveitando o real forte e as pechinchas oferecidas no pós-crise para ir às compras.

Os empresários brasileiros adquiriram mais concorrentes no exterior que os estrangeiros no País neste início de ano. De janeiro a maio, as companhias nacionais investiram US$ 11,16 bilhões em aquisições ou no aumento de sua participação em companhias das quais já eram sócias. O valor superou os US$ 10,68 bilhões que os estrangeiros trouxeram ao País para aquisições. Os Estados Unidos se tornaram o principal alvo e absorveram 40% dos investimentos (excluídos paraísos fiscais).

O cálculo exclui as transferências entre matrizes e filiais. O investimento direto é a soma da compra de participações no capital e de empréstimos inter-companhias. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, "as aquisições não são um movimento tático, mas estratégico das empresas nacionais no exterior".

A única vez que os brasileiros compraram mais empresas no exterior que agora foi em 2006, quando a Vale adquiriu a canadense Inco por US$ 18 bilhões. A magnitude da transação distorce os dados, o que torna a virada atual inédita. Em 2004, os brasileiros investiram US$ 6,64 bilhões em aquisições no exterior.

Com exceção de 2006, o recorde foi em 2008, com US$ 13,9 bilhões - pouco acima do obtido em cinco meses deste ano. As aquisições no exterior demonstram a robustez das empresas brasileiras no pós-crise, mas são mais um fator de pressão nas contas externas do País, que devem terminar o ano com déficit de cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Oportunidade. Em fevereiro, a petroquímica Braskem comprou a divisão de polipropileno da americana Sunoco por US$ 350 milhões. "Entramos na crise com dinheiro em caixa. O que é crise para uns, é oportunidade para outros", diz o vice-presidente de relações institucionais e desenvolvimento sustentável da Braskem, Marcelo Lira.

Os objetivos da Braskem com a internacionalização são ganhar escala e ter acesso a matéria-prima. É por isso que a empresa prevê investir US$ 2,5 bilhões em um polo petroquímico no México até 2015. A Braskem já tem contrato de fornecimento de nafta com a Pemex. "As aquisições vão continuar, porque os planos são passar de oitava para quinta petroquímica do mundo até 2020", disse Lira.

Outra que aproveitou as oportunidades da crise foi a Votorantim, que adquiriu 21,3% da portuguesa Cimpor em janeiro, após feroz briga com os concorrentes Camargo Correa e CSN. Foi o último lance de um processo de ida para o exterior que começou em 2001. Com destaque para cimento e metais, a empresa está presente em 22 países.

Um conjunto de motivos impulsiona a internacionalização das empresas brasileiras. Segundo o gerente do projeto de internacionalização da Fundação Dom Cabral, Sherban Leonardo Cretoiu, as companhias estrangeiras perderam valor de mercado na crise. Além disso, a valorização do real aumentou o poder de compra dos brasileiros. Outro fator é a consolidação provocada pela crise, com o surgimento de grupos como Itaú Unibanco e Brasil Foods (Sadia e Perdigão) que vão buscar o exterior.

Oferta hostil

Para aproveitar as boas oportunidades, as empresas brasileiras estão mais agressivas. A fabricante de máquinas Romi fez uma oferta hostil pela americana Hardinger. O conselho da companhia americana resiste, mas os executivos da Romi estão fazendo uma peregrinação de conversas com os acionistas. Na primeira tentativa, tiveram 38% de adesão. Estenderam o prazo e já conseguiram, 48%. O presidente da Romi, Livaldo Aguiar dos Santos, explica que precisa de 66% para completar a aquisição. "Nossa oferta hoje é de US$ 10 por ação, mas estamos dispostos a conversar com o conselho da Hardinger." A Romi tem 90% de seu faturamento no Brasil. Com a Hardinger, cairia para 45%.

A internacionalização ganhou fôlego este ano, mas começou há bastante tempo. A Gerdau foi uma das pioneiras em 1980 e hoje obtém metade do faturamento no exterior. "Buscamos participação em mercados-chave, ampliando a atuação nas Américas e ocupando espaços na Europa e na Ásia", diz o diretor-presidente da empresa, André Gerdau Johannpeter. Em 2008, a Gerdau adquiriu uma fatia da mexicana Corso Controladora e aproveitou a crise para elevar sua participação na espanhola Sidenor.

Para os especialistas, 2009 foi apenas uma interrupção na tendência de internacionalização. Pesquisa da Fundação Dom Cabral com 41 companhias indicou que apenas uma não tem planos de expandir suas operações no exterior este ano.

2 de jul. de 2010

Eles são e serão o maior parceiro comercial de diferentes países.


Especialistas ensinam a fazer negócio com chineses

Conhecer a cultura do país é essencial para os estrangeiros.
Vídeo mostra como se comportar em determinadas situações.

Anay CuryDo G1, em São Paulo
  Antes de fazer uma viagem de negócios ao exterior, o empresário interessado em internacionalizar suas transações deve se preparar antes,  principalmente se o país for a China. Demonstração de interesse e de respeito pela cultura dos chineses é praticamente sinônimo de bons negócios, na avaliação de especialistas.  
Por se tratar de uma cultura diferente da brasileira em muitos aspectos,  é preciso planejamento antes de embarcar para negociar na China, segundo a consultora Suzana Bandeira, da BG Corporativa Cultural, que lida com o mercado chinês há 15 anos.
" A China é muito diferente. Não considerar essa diferença ou subestimá-la pode colocar em risco uma potencial transação comercial. Seja qual for o ponto de contato entre as empresas brasileiras e chinesas, uma coisa é certa: capital, boa qualidade de produto ou serviço, experiência com outros países, não garantem o sucesso de seu empreendimento na China", disse.
De acordo com a especialista, não há regras definidas que devam ser seguidas - "o visitante é quem tem de saber até onde pode ir"- , mas algumas dicas podem ser úteis.
O que fazer
Aprender algumas palavras ou preparar cartões de visita em mandarim, por exemplo, costumam causar boa impressão. Se quiser ir mais preparado ainda, a consultora orienta que o empresário leve algum presente típico do seu país. "Costumo levar mel, pedras ou CDs com sons de passáros da Amazônia. Eles gostam muito", disse.
Se a conversa tomar um rumo aparentemente pessoal, o visitante não deve estranhar. É comum o empresário chinês querer saber se o parceiro é casado e tem filhos, por exemplo.
"O relacionamento, a amizade têm muita importância para os chineses", disse o professor Li Xiangkun, diretor chinês do Instituto Confúcio na Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O instituto Confúcio realiza em São Paulo o curso "A Cultura de Negócios na China", nos próximos dias 24 e 30 de junho e 1º de julho.

30 de jun. de 2010

Brasil vai usar experiência européia para buscar oportunidades de negócios

Brasília - O Brasil vai usar a experiência europeia para criar oportunidades de negócios em seus arranjos produtivos locais (APLs) durante grandes eventos como a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. As medidas para fomentar esses negócios e tornar os APLs mais competitivos estão sendo discutidas hoje (30) e amanhã (1º), em Brasília, no seminário Brasil – União Europeia: Inovação em Arranjos Produtivos.

“Vamos mostrar o que é tendência nos APLs da Europa e como eles usam a inovação para construir modelos de negócio mais competitivos”, afirmou o diretor de Fomento à Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Vinícius Souza.

Os APLs são aglomerações de empresas de um mesmo ramo em uma mesma região que interagem e também desenvolvem parcerias com atores locais, como instituições de ensino e governos.

Durante o evento, será relatada a visita de uma delegação brasileira a vários países europeus para observar como eles usam a inovação para incrementar a economia dos APLs, também chamados de clusters (aglomerações, em português). Em seguida, especialistas e representantes do governo irão discutir o que pode ser aplicado na realidade brasileira.

Para Souza, as estratégias europeias em setores tradicionais, como confecção, têxtil, e de madeira e móveis, podem ajudar o Brasil. Esses setores inovaram para competir com produtores da China e de países do Leste Europeu. O diretor destaca que a inovação não deve ser entendida somente como avanço tecnológico e melhoramento genético, mas também como uma maneira diferente de trabalhar as marcas.

Outro ponto a ser considerado é a prática do continente de recepcionar eventos internacionais. “Grande parte dessa experiência vai ser usada na Copa. Vimos como as políticas públicas europeias criam oportunidades em eventos de grande mobilização, como as Olimpíadas de Londres, e conseguem alavancar alguns clusters”, disse Marcos Vinícius.

Segundo ele, para que isso ocorra, o Brasil precisa superar a desarticulação de órgãos federais, estaduais, municipais e associações empresariais. “Depois de conscientizar e unir os atores, vamos mapear quais investimentos podem beneficiar as APLS”, disse.

Para o secretário de Políticas de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional, Henrique Villa, o crescimento dos clusters deve ser tratado com tema relevante. “Eles são uma ferramente importante para diminuir as desigualdades sociais”, disse.

Edição: Juliana Andrade | 30/06/2010 - 12:54
Agência Brasil