28 de jul de 2010

A visão de um britânico pode lhe trazer um grande negócio on line, só no registro.

O rei do pornô na internet

O britânico Stuart Lawley está prestes a ganhar o direito de registrar o domínio ponto-xxx para sites de conteúdos adultos, um negócio que pode render US$ 200 milhões por ano

Por Ralphe Manzoni Jr.
Ouça um resumo da reportagem sobre o rei do pornô na internet

Você sabe o que significa XXX? Essas três letras são usadas na língua inglesa como forma de designar conteúdos pornográficos. Para o britânico Stuart Lawley, elas têm outro significado: US$ 200 milhões por ano em seu bolso.

No mês passado, a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), associação que controla os endereços de internet globalmente, aprovou preliminarmente o registro do domínio ponto-xxx para sites de conteúdo adulto.

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Novo midas: Stuart Lawley fez fortuna com um provedor de internet na década de 90.
Agora, sua empresa pode controlar o "distrito da luz vermelha" virtual

Se a decisão for sacramentada na reunião de dezembro da instituição, é a ICM Registry, empresa de Lawley, quem vai controlar essa versão digital do ?distrito da luz vermelha?, como é conhecido o bairro de prostituição em Amsterdã. ?O sufixo ponto-xxx beneficia os consumidores, os provedores de conteúdo e também quem não quer acessar sites adultos?, declarou à DINHEIRO Lawley.

A medida, no entanto, é polêmica.  Lawley, que fez fortuna na década de 90 com um provedor de internet, será um dos que mais vão se beneficiar. O custo para registrar sites com o sufixo ponto-xxx será de US$ 60, seis vezes maior do que o que é cobrado para quem usa apenas o ponto-com, mas similar a outros domínios específicos, como ponto-travel (para sites de viagens) ou ponto-jobs (empregos).

No Brasil, quem quer ter um site com o endereço ponto-com.br paga taxa de R$ 30 por ano. Até agora, a ICM Registry já tem 160 mil pré-reservas. Espera-se também que empresas que não atuem nesta área se protejam e registrem suas marcas com o novo domínio. 
Mas a trajetória do novo domínio não será fácil. Grupos cristãos se mobilizaram dizendo que a decisão vai legitimar a pornografia na internet. A Free Speech Coalition, uma voz forte na indústria pornô, não apoia o novo domínio.

Lawley, que não tem nenhuma ligação com sites de conteúdo adulto, alega que o endereço cria um rótulo reconhecível para identificar o que é oferecido pelas páginas web, sem a necessidade de visitá-las.

Tanto os interessados como aqueles que não são terão uma marca identificável?, diz. O plano do executivo não se limita ao registro das novas páginas. Ele também quer criar um serviço de transferência de valores pela internet semelhante ao PayPal, mas voltado exclusivamente para aos sites ponto-xxx. Lawley estima que pode processar de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões em transações neste novo negócio.

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Lawley começou sua cruzada para que o domínio ponto-xxx fosse reconhecido em 2004. Na ocasião, a ICANN rejeitou seu pedido. Seis anos depois e US$ 10 milhões gastos com taxas e no lobby para conquistar a simpatia do setor, sua proposta ganhou sinal verde para seguir adiante. 
O novo domínio não resolve nada, pois ele não é compulsório?, diz Demi Getschko, presidente do NIC.br., associação que faz os registros dos domínios no Brasil. Getschko, na época em que a proposta foi apresentada pela primeira vez ao ICANN, fazia parte do conselho da instituição e votou contra a criação do novo sufixo.

?Eles não tinham o apoio da comunidade?, justifica. A nova decisão do ICANN indica que o cenário agora mudou. Fã de música, vinho e, é claro, mulheres, Lawley diz que seu ídolo na área de negócios é Alan Sugar, empresário britânico com uma fortuna estimada em mais de US$ 1 bilhão e que apresentou a série de tevê O aprendiz no Reino Unido. Agora, quem tem de aprender com Lawley é a indústria do sexo. Ele pode ser seu novo rei.


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