3 de jul de 2010

Ventiladores, liquidificadores, ferros de passar e batedeiras.

Eletroportáteis populares têm boom e planejam 3 fábricas

Vendas subiram 26% neste ano ante início de 2009; novas unidades vão produzir ventilador, liquidificador, ferro de passar e batedeira



SÃO PAULO - De carona na expansão da classe C, o mercado de eletroportáteis vive um "boom" no País: até maio, as vendas subiram 26% ante igual período de 2009, segundo o Instituto Nielsen. Se a expansão for mantida, a receita do setor vai superar a marca de R$ 1 bilhão em 2010. Para isso, empresas investem na abertura de pelo menos três fábricas dos produtos mais vendidos – ventiladores, liquidificadores, ferros de passar e batedeiras – neste ano.
À frente da expansão da produção local estão empresas associadas a preços populares, como Britânia e Mallory. A paranaense Wap, conhecida pelas lavadoras de alta pressão – mercado no qual atua há 35 anos – se prepara para testar a marca em uma variedade de eletroportáteis. A maior parte dos novos investimentos são em fábricas de ventiladores, item que puxou o crescimentos dos eletroportáteis no início deste ano. Segundo a Nielsen, o produto gerou receitas de R$ 158 milhões de janeiro a maio, com alta de 39% sobre o ano passado.
De acordo com Renato Meirelles, sócio do Instituto Data Popular, a alta nas vendas de eletroportáteis é um fenômeno social capitaneado pelas mulheres da classe C, que aumentaram sua participação no mercado de trabalho. Entre as famílias da "classe média emergente", a mãe é chefe do lar em 30% dos casos. Nas classes A e B, a relação é de 22%. "A mulher da classe C já mandava na casa com o dinheiro no marido. Com próprio salário, têm ainda mais poder. A tendência das vendas de eletroportáteis é ascendente."
Reabertura
A paranaense Britânia, uma das pioneiras do setor, com mais de 50 anos de mercado, reabriu em maio uma fábrica de ventiladores na cidade de Camaçari (BA) – a unidade havia sido desativada em fevereiro de 2009, no auge da crise global. A empresa não respondeu aos pedidos de entrevista do Estado, mas a Prefeitura informou que o investimento foi de R$ 10 milhões e criação de 250 empregos.
Para o segundo semestre, a Mallory – que pertence ao grupo espanhol Taurus – abrirá uma terceira fábrica em Fortaleza (CE), com o objetivo de ampliar sua capacidade produtiva em 50%. A nova unidade vai fabricar ventiladores, ferros, liquidificadores e batedeiras, itens que respondem por 65% do faturamento da companhia. A empresa não informa o valor investido, mas afirma que a inauguração deverá ser em setembro.
A exemplo do que ocorre nas concorrentes, os demais produtos da Mallory – secadores de cabelo, chapinhas e máquinas de pão, entre muitos outros – são importados da China. Todos os itens de origem chinesa, segundo o diretor-superintendente da empresa, Paulo Braga, são produzidos por fábricas do grupo Taurus naquele país. De acordo com o executivo, o público-alvo da Mallory é a classe C – por isso, a maior parte dos produtos da marca é vendida no varejo a menos de R$ 100.
O executivo afirma, entretanto, que o segmento "made in China" também foi descoberto por pequenas empresas, que descobriram uma forma de ganhar dinheiro fácil importando lotes de alguns itens. "No caso das sanduicheiras, existem mais de 30 marcas no mercado hoje, desde empresas consagradas até importadores que têm apenas uma sala comercial e nenhum compromisso com a qualidade", afirma Braga.
Made in China
Entre as empresas que pegaram carona nos produtos baratos da China para ganhar mercado está a paranaense Wap. A companhia era conhecida por fabricar equipamentos de alta pressão para limpeza industrial. Em 2006, quando o setor corporativo ainda era seu principal negócio, a companhia faturava R$ 12 milhões. Nos últimos quatro anos, ao apostar na importação de itens chineses e no atendimento do segmento residencial, a Wap viu seu faturamento se multiplicar: para 2010, a expectativa é de receitas de R$ 100 milhões.
Com uma estrutura enxuta – são 109 funcionários, entre pessoal de fabricação, testes de produtos importados e administração –, a Wap já distribui hoje produtos como aspiradores de pó e vaporizadores nos principais hipermercados e varejistas de eletrodomésticos do País. Nos próximos meses, completa a linha com equipamentos para garagem, como parafusadoras e macacos elétricos. "Invertemos a estratégia. Hoje, 80% das nossas receitas vêm da linha residencial. Identificamos que era possível expandir a atuação da marca para as casas", afirma a diretora comercial e de marketing da Wap, Édla Pavan.
No quarto trimestre deste ano, a empresa vai iniciar a briga direta com os líderes do mercado de eletroportáteis. Em outubro, inaugura uma pequena unidade de ventiladores em Fortaleza – para isso, contratará mais 14 funcionários. Édla afirma, entretanto, que a fabricação local, no caso dos ventiladores, não é uma escolha da empresa: por conta da invasão do produto chinês, este mercado passou a ser protegido pelo governo. O mesmo ocorre, por exemplo, com os ferros de passar, outro produto de grande consumo no País.
Fernando Scheller | 2/7/2010

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