23 de set de 2010

O Jovem e o consumo político

Como pensam os jovens consumidores

Estudo traça o perfil de consumo de moradores do Rio e de São Paulo, entre 16 e 25 anos

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing | 23/09/2010



A maioria dos jovens brasileiros está satisfeita com a relação de consumo que tem com produtos e serviços. Segundo o estudo “O Jovem e o consumo político”, 77% nunca se sentiram desrespeitados enquanto consumidores. De acordo com o levantamento, 84% dos entrevistados jamais fizeram reclamações exigindo seus direitos e 97% nunca abriram uma ação de reivindicação contra alguma empresa. Dos 402 entrevistados, 52% se consideram informados sobre os direitos do consumidor. No entanto, 62% afirmaram não conhecer o Código de Defesa do Consumidor.
Foram entrevistados moradores do Rio de Janeiro e de São Paulo, com idades de 16 a 25 anos, sendo a maioria de 20 anos, e com renda média de R$ 998,00. O material ressaltou a importância dos clientes se informarem sobre as empresas dos produtos consumidos. Sessenta por cento disseram que o cidadão tem a responsabilidade pessoal sobre as escolhas de produtos e serviços, contra 12% que discordam da afirmação.
Sessenta por cento dos jovens também acreditam que o consumidor pode influenciar a sociedade mudando produtos e empresas que não estão preocupados com questões ambientais, éticas e sociais. Entretanto, 38% dos pesquisados afirmaram não ler os rótulos dos produtos.
  brasileirosJovens se consideram bem informados
Dos 62% que disseram observar as embalagens, a principal informação, considerada por 92,8% dos jovens, é a validade. A marca vem apenas em segundo lugar, com 51,8%, seguida pela composição (47,4%). “É importante lembrar que quando falamos sobre alimentação alguns elementos sobressaem mais do que quando estamos abordando roupas, por exemplo”, aponta Lívia Barbosa (foto), Diretora do Centro de Altos Estudos da ESPM, durante o 5º Encontro Nacional de Estudos do Consumo, no Rio de Janeiro.
Os jovens também se consideram bem informados. Quando questionados sobre áreas que conhecem acima da média, o primeiro assunto é o esporte (42%), seguido por música (31%), moda (18%) e cinema (12%). Política e meio ambiente são temas que despertam pouco interesse nesses consumidores, com 6% e 5%, respectivamente.
A TV aberta continua sendo a principal fonte de informação desses jovens. Depois aparecem a internet e os colegas e amigos, citados espontaneamente pelos entrevistados. “A percepção desse jovem de que está bem informado está relacionada especificamente às áreas de lazer e entretenimento”, explica Lívia.
Brasileiros não se interessam por política
O baixo nível de interesse desses consumidores pela política também se manifesta no consumo, mostrando-se pouco engajados quando o assunto é aprofundar-se em relação aos produtos. A maioria deles (76%) interage frequentemente com o que a internet oferece e 60% têm algum tipo de perfil nas redes sociais. A web, no entanto, ainda é usada para pesquisa de preço por grande parte dos internautas. “A maioria não utiliza a ferramenta para avaliar a qualidade dos produtos a serem adquiridos”, explica a especialista.
Esses jovens também não demonstram iniciativa – contra ou a favor – em relação às marcas. A maioria esmagadora (96%) nunca participou de um boicote a um produto ou uma empresa. O mesmo acontece quando indagados sobre um “buycott”. Oitenta e um por cento disseram nunca ter comprado um produto com a intenção de premiar uma empresa que julga virtuosa do ponto de vista ambiental ou em relação à qualidade, por exemplo.
Grande parte dos pesquisados (86%) desconhece o significado do termo comércio justo, um dos pilares da sustentabilidade, que busca a formação de preços justos e padrões sócio-ambientais equilibrados nas cadeias produtivas. Daqueles que disseram não conhecer o conceito, 44% optaram pela alternativa errada (“comércio regulado pela organização mundial do comércio”).
Quase a metade (51%), no entanto, afirmou ter comprado algum produto do comércio justo, enquanto, no geral, 34% disseram comprar produtos verdes. “São Paulo tem um comportamento expressivamente diferente, 45% dizem ter consumido produtos orgânicos”, diz Lívia.


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