27 de ago de 2010

E-por foi desenvolvido para aplicação em embalagens e ainda está em testes entre clientes brasileiros

Basf fornece novo tipo de isopor à indústria automotiva

Buscar novas aplicações para velhos produtos é um recurso usual para expandir negócios estagnados. Mas, no caso da equipe brasileira da divisão de plásticos da Basf, a estratégia é mais ousada.

Há menos de dois meses, a empresa alemã apresentou mundialmente ao mercado a resina E-por, uma geração mais avançada da espuma plástica EPS (poliestireno expansível), que no Brasil é mais conhecida por uma das marcas atribuídas ao produto: isopor.

O E-por foi desenvolvido para aplicação em embalagens e ainda está em testes entre clientes brasileiros, sem nenhum contrato fechado.

A Basf local, porém, busca novas aplicações na construção civil, indústria naval, e na indústria de autopeças. De acordo com a Basf, Fiat e Volkswagen testam as peças.


"A matriz está de olho em nosso trabalho. Se formos bem-sucedidos, expandiremos significativamente o potencial de mercado", diz Arnaud Piroëlle, gerente de marketing da divisão de espumas.

A Basf alemã inclusive já destacou um executivo para estudar as novas possibilidades de negócios que podem surgir a partir da iniciativa da equipe brasileira.

Como relata Piroëlle, a principal característica que diferencia o E-por do EPS tradicional é sua capacidade de absorção de choques, que chega a ser dez vezes maior.

Aplicado em embalagens, traduz-se em uma maior proteção aos produtos com menor volume, aumentando a disponibilidade de espaço nos meios de transporte.

Hoje, o isopor é usado para embalar eletroeletrônicos da linha branca, como geladeiras, fogões e micro-ondas, e da linha marrom, como televisores e aparelhos de som.

Os produtos mais delicados e de maior tecnologia, como celulares, PCs, laptops, telas de LCD, são mais comumente embalados com materiais que usam polipropileno expandido (EPP) e polietileno expandido (EPE). É neste segmento de mercado que a Basf quer competir com o E-por.

A meta da empresa para o primeiro ano é realizar vendas de 50 toneladas do E-por, obtendo uma receita de R$ 550 mil. Em cinco anos, a meta é chegar a 500 toneladas anuais com um faturamento de R$ 5,5 milhões.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o Brasil consome ao ano 66 mil toneladas anuais de EPS, o que resulta em receita para a indústria de R$ 276 milhões.

Diante destes números, das expectativas de venda da companhia e do valor total do mercado, a Basf chegou à conclusão de que o potencial do E-por é pequeno. A avaliação motivou a equipe brasileira a buscar novas aplicações para o produto.

Piroëlle relata que os estudos apontam grande potencial no segmento de autopeças, no uso em produtos como pára-choques, quebra-sol, revestimento de portas e capacetes.

Fornecedores de algumas das principais montadoras em atuação no país já realizam testes com o E-por e a expectativa é que as novidades cheguem ao mercado em 2011.

"Mas trabalhamos com a hipótese que o E-por passe por evoluções antes de vir a ser adotado nestas novas aplicações", diz.

Na indústria naval, a expectativa é servir de molde para casco de barcos e também para a produção de pranchas de surfe. Na construção civil, o provável uso ocorrerá em casas pré-fabricadas para eventos e canteiros de obras e também na formação de paredes drywall.

Domingos Zaparolli | 27/08/10 | 09h12



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