18 de jul de 2010

A meta é destinar 0,20% do faturamento em treinamentos. A rotatividade de trabalhadores no varejo como um todo pode chegar a 50% ao ano.

Pernambucanas investe em funcionários para evitar rotatividade

No ano passado, a empresa ofereceu programas de profissionalização a 8.416 funcionários

Lojas Pernambucanas querem reverter a alta rotatividade de trabalhadores.

São Paulo - A Pernambucanas optou por investir em treinamento e especialização de funcionários como estratégia para reverter a alta rotatividade de trabalhadores, característica presente no setor varejista.
A rede de lojas inaugurou em 2005 em São Paulo sua Universidade Corporativa do Varejo que, no ano passado, ofereceu programas de profissionalização a 8.416 funcionários.
Sem citar uma relação quantitativa, a empresa passou a associar a retenção de pessoal à participação em treinamentos na universidade.
"Nenhum gerente da Pernambucanas veio do mercado, todos começaram na loja. Na estratégia da empresa, o investimento em treinamento é tão importante quanto a abertura de lojas, por exemplo", disse em recente entrevista à Reuters a diretora de Recursos Humanos da Pernambucanas, Julieta Nogueira.
Segundo ela, o investimento em treinamento corresponde a 0,18 por cento do faturamento anual da Pernambucanas que, em 2009, foi de 4,2 bilhões de reais. Além disso, para manutenção da universidade, a empresa desembolsa cerca de 2 milhões de reais a cada ano.
"A meta é destinar, em média, 0,20 por cento do faturamento a treinamentos", afirmou ela, ressaltando que a rotatividade de trabalhadores no varejo como um todo pode chegar a 50 por cento ao ano.
O cenário é motivado principalmente por fatores como salários pouco atraentes e jornada de trabalho pesada, tornando necessário um plano de carreira por parte das empresas para que os trabalhadores não busquem migrar para outro setor ou empresa.
Na visão da professora do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (FIA), Suzana Dias, a rotatividade no varejo precisa ser foco de atenção do setor, que tem nos funcionários seu canal direto com os consumidores.
"Muitos (funcionários) são iniciantes, sem formação, representando mão de obra de baixo custo, e precisam ser treinados. A preocupação das grandes empresas de varejo deve ser treinamento", disse Suzana.
De acordo com a professora, o tempo médio de permanência de um trabalhador em uma rede varejista costuma ser de um ano, em média. "A rotatividade (anual) fica entre 30 e 50 por cento na maioria das empresas."
Após reter contratações no período da crise financeira mundial, está criando vagas por meio da abertura de lojas. Até o final deste ano, a empresa deve inaugurar quatro novas unidades de médio porte no país, sendo duas em shopping centers, elevando o total para 273 lojas no país.
Executivos
No topo da pirâmide do varejo, o quadro é diferente. Acompanhando o movimento de consolidação vivido pelo setor, profissionais altamente qualificados chegam a ser disputados entre as concorrentes.
Em março do ano passado, Marcelo Silva trocou seis anos de presidência na Pernambucanas pelo cargo de diretor de Operações no Magazine Luiza. Cerca de sete meses depois, Silva levou Abel Ornelas, diretor de Operações na ocasião, para a concorrente.
No mês passado, Dilson Santos, que ocupava a superintendência da Pernambucanas interinamente, deixou a empresa, após passar também pela C&A. Santos foi substituído pelo diretor financeiro Jiovanini Ciccone.
"Essa dança das cadeiras existe, é uma realidade", reconheceu a diretora de Recursos Humanos da Pernambucanas.
Vivian Pereira | 17/06/2010 | 15:18 |  

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